Festival de Tortas na FAC
O Centro Acadêmico de Comunicação Social promoverá amanhã, 1/2, um Festival de Tortas para arrecadar verba. O Festival será em frente ao próprio CA na Ala Norte do ICC.
Tivemos um enxugamento do nosso corpo de repórteres, mas estamos, aos poucos, retomando o ritmo de publicação de matérias.
(atualizado em 20 de outubro de 2007)
O Centro Acadêmico de Comunicação Social promoverá amanhã, 1/2, um Festival de Tortas para arrecadar verba. O Festival será em frente ao próprio CA na Ala Norte do ICC.
UnB será o palco dos mais variados gêneros musicais em fevereiro
A UnB trará música para todos os gostos no mês de fevereiro. O Departamento de Música do Instituto de Artes (IdA) fará concertos semanais a partir de quarta-feira (1/2) sob a coordenação da professora Irene Bentley do Departamento de Artes Cênicas. O repertório de estréia será do Trio BEC (Brasil, Espanha e Coréia), com Liz Yi no violino, Norma Lílian no violoncelo e Maria de los Ángeles ao piano. Na quinta (2/2), a apresentação será por conta do Quarteto de trombones, TrueBone. Ambos os dias, os concertos ocorrerão no Auditório do Departamento de Música SG2 às 12h30.
Já quem prefere uma música mais agitada deve ficar atento à programação do Campus Sonoro, projeto semanal organizado pelo DEA (Diretoria de Esporte, Arte e Cultura). Os shows ocorrem sempre às 12h no Anfiteatro 9 (ICC Sul). Entre as atrações do mês, estarão as bandas Too Much (Dave Matthews Band Cover) e Arakiri (punk hardcore), no dia 7/2, e Indústria Zero 1 (Rock Nacional, hardcore e vertentes) e Brown-Há (Rock´nRoll/Hardrock) no dia 21/2.
Carolina Menkes, do jornal impresso do CACOM
Na matéria "Sem planejamento", do dia 29/1, foi dito que "... a UnB tem reservada para si 230 vagas" para repor professores. Na verdade, a UnB precisa de 230 professores, mas o MEC ainda não definiu a quantidade de docentes que a Universidade poderá contratar.
Próxima semana estará repleta de atrações para os amantes do cinema
por Carolina Menkes
Mais uma semana de filmes está por vir. Desta vez, o Núcleo de Vídeo Comunitário apresentará uma programação com diferentes gêneros cinematográficos. A "Semana Diversos" tem início na segunda-feira (30/1). Confira a programação:
As sessões terão início às 12h no Anfiteatro 15 – ICC Norte.
Sem esquecer que a BCE exibirá nesta próxima quarta, às 12h, o filme A Morte Cansada, da série de filmes do Expressionismo Alemão que são exibidos neste mês até o dia 22/2. A programação completa desta série pode ser encontrada na matéria Cinema no Campus publicada no Blog do CACOM no dia 24 deste mês.
MEC ainda não divulgou seus planos para a UnB em 2006
por Beatriz Olivon
Após 26 dias do início de 2006 (23 do início do ano letivo na UnB), o Ministério da Educação (MEC) ainda não apresentou suas propostas para a universidade neste ano.
As 2,5 mil novas vagas para professores criadas pelo Ministério ainda estão em fase de distribuição entre as universidades. Esta divisão terá como base os levantamentos da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais (Andifes) e cada instituição fará sua própria seleção para a contratação. Sabe-se que a UnB é uma das instituições com a maior relação aluno/professor (18,2). Isto significa que não há professores para todos e, assim, muitos estudantes não conseguem matrícula nas disciplinas desejadas. Para reduzir este déficit, a UnB tem reservada para si 230 vagas (casos de aposentadoria ou morte de professores).
O MEC ainda não tem informações sobre o orçamento destinado para a universidade. Também não há informações no Decanato de Assuntos Financeiros (DAF), pois o diretor de orçamento encontra-se em férias.
por Bárbara Rosa e Carolina Menkes
fotos: Vitor Freire

Tânia Montoro e Ricardo Caldas
Evento na Faculdade de Comunicação mostra trabalho vencedor de prêmio de Investigação Jornalística. O tema gira em torno da exploração sexual infantil
por Diogo Alcântara
A sensibilização da sociedade acerca da violência sexual infantil e a luta contra a banalização desta realidade foram marca do trabalho das vencedoras do Concurso Tim Lopes de Investigação Jornalística. No colóquio Mídia e Violência Sexual ocorrido hoje, 27/01, na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, organizado pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), as repórteres tiveram a oportunidade de mostrar seus trabalhos e levar o debate sobre o jornalismo investigativo aos estudantes presentes.
Abuso sexual doméstico, tráfico de pessoas, exploração sexual comercial nas estradas e turismo sexual foram alguns dos temas das séries de matérias vencedoras do concurso promovido pela ANDI. As realizadoras das reportagens, que estiveram no colóquio, falaram sobre suas experiências, entre as quais viagens e entrada em boates que são verdadeiros redutos de exploração sexual comercial. Mencionaram ainda seus principais desafios, principalmente ao entrevistar crianças que foram vítimas de abuso sexual. As jornalistas, que fizeram a reportagem para o Correio Braziliense, Juliana Cézar Nunes, Clarice Dias e Marina Oliveira, contaram com a intermediação de psicólogos para este tipo de entrevista.
O evento destacou a dificuldade de fazer jornalismo investigativo, principalmente quando se trata de uma denúncia social, como no caso da exploração sexual no Brasil. Muitas comunidades de localidades onde é mais comum a exploração sexual comercial se tornam insensíveis a este problema. O fluxo de notícias que já fazem parte do senso comum, com divulgação de números de dados e pesquisas contribuem para a banalização do tema. A dificuldade, portanto, está no fato de se fazer uma matéria abordada a partir de outra perspectiva.
Além das repórteres, o evento teve a participação de uma representante do Ministério do Turismo, a advogada Fabiana Gorenstein, que falou sobre o turismo sexual no país. Ela deu dicas aos estudantes de jornalismo sobre como se deve proceder em assuntos delicados e que os jornalistas devem estar conscientes de sua função, que no caso de denúncias sociais seria a de mostrar alternativas de como implementar os Direitos Humanos.
Os estudantes, que lotaram o auditório da Faculdade de Comunicação, saíram satisfeitos do colóquio. O evento superou suas expectativas, o tema foi muito elogiado e, de acordo com alguns, deveria ser mais abordado.
Mesmo aprovando a iniciativa, outros estudantes, como a graduanda de jornalismo Núbia Lima, observaram que havia uma maioria absoluta de alunos de Comunicação Social e sentiu falta da presença dos estudantes dos demais cursos.
Interessados em trabalhar para o Cespe enfrentam frio, fome e sono para ganhar dinheiro em pouco tempo
por Guilherme Rocha e Johanna Nublat
Fotos de Joahnna Nublat
A fila para conseguir uma "sobra" entre os fiscais de sala no Cespe começa às 5h30min... da tarde do dia anterior. As pessoas, a maioria estudantes e desempregados, amontoam-se na Ala Sul do ICC e trazem barracas e cobertores para passarem a noite a fim de pegar uma vaga de fiscal.
"Essa fila é necessária, mas é desleal", diz Lucas Machado, estudante de Engenharia Mecatrônica e interessado em complementar sua renda. "O Cespe poderia organizar a chamada para sobras", completa. Já Agnaldo de Oliveira não culpa o Cespe. "Quem vai para a fila, vai porque quer", declarou. Ele apenas lamenta a existência de listas de chamadas, as quais ele diz serem sempre feitas pelas mesmas pessoas. "Ontem à tarde [tarde de quarta-feira; a fila formou-se na quinta] já tinha uma lista com 40 pessoas, mas só sete estavam aqui."
Uma possível solução para o problema foi dada por Thaís Coutinho, estudante de Pedagogia e aspirante a uma vaga de fiscal. "O Cespe poderia fazer um cadastro para as sobras", sugere.
As filas são desumanas: os pretendentes humilham-se para conseguir vagas. No entanto, é um bom dinheiro (R$80,00) por um ou dois dias de trabalho.
Fazer o cadastro pode evitar filas futuras, mas processo é demorado
por Camila Louise e Thaíse Torres
A tranqüilidade no posto de recrutamento de fiscais do CESPE foi característica da manhã desta quarta-feira 25. Não houve filas, nem uma grande disputa pelas vagas de fiscais e chefes de sala. As pessoas chegavam calmamente, dirigiam-se aos guichês, eram atendidas e iam embora. O processo é fácil após conseguir o número. No entanto para conseguir um número no cadastro do CESPE os estudantes reclamam que tem que esperar muito tempo.
As estudantes do curso de Letras, Domingas Sousa e Soraya Barbosa (grupos III e I respectivamente), dizem que fizeram o cadastro há um ano, mas o número saiu cinco meses depois. Não sentiram dificuldade em se cadastrar embora reclamem da falta de aviso quanto à conlusão do cadastro quando conseguem o número. Apesar de não dependerem do dinheiro, dizem ser um complemento significativo em suas rendas.
Já Vinícius Uriel, estudante de Ciências da Computação, afirma ter requerido o cadastro há três meses mas ainda não obteve o número. "Há um certo descaso na prestação de informações. Não sabemos o tempo que leva para conseguir o número e ninguém sabe informar". Vinícius não é o único a ter dúvidas sobre isso nem a demorar a receber um número de cadastro. Thaise Oliveira, aluna de Comunicação Social fez seu cadastro no início do segundo semestre de 2004 e até hoje não conseguiu um número. "Quando vamos atrás de informações, tudo que ouvimos é que houve uma pane no sistema e que por isso há atraso na distribuição de números."
O cadastro para fiscais pode ser realizado pelo site www.cespe.unb.br na seção de colaboradores.
DCE questiona presença da PM no Campus; Reitoria explica
por Gabriel Castro
Mais uma divergência entre o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e a Reitoria: desta vez, o motivo é a presença da Polícia Militar no Campus. A representação estudantil ameaça até recorrer no Ministério Público para questionar o convênio firmado entre a PM e a UnB. Tudo porque, segundo o Diretório, a Reitoria quer se eximir da responsabilidade de promover a segurança no Campus e, para isto, teria recorrido à PM. Pior; o acordo entre as duas entidades seria apenas verbal, e, portanto, ilegal.
Wagner Guimarães, coordenador-geral do DCE, reclama: " Os policiais que estão na UnB poderiam estar atuando em outros lugares, fora da Universidade. A segurança do Campus é responsabilidade da UnB, que é uma instituição federal, e não da PM, que é subordinada ao governador". Segundo ele, já aconteceram até casos de abuso de autoridade cometidos por policiais no Campus. A solução, segundo o DCE, é a própria UnB custear seguranças para o Campus, já que a instituição recebe do governo verba específica para esta área. "Eles não têm um projeto para a segurança, e querem repassar a responsabilidade à Polícia", argumenta Wagner.
Já a Reitoria, através da sua Assessoria de Comunicação, tem outra versão: a verba que a UnB recebe para segurança destina-se apenas à segurança patrimonial, que é feita por uma empresa terceirizada. Caberia então à PM zelar pelo restante da segurança. A Assessoria também alegou à nossa reportagem o fato de que a UnB ser uma instituição federal não impossibilita a PM de fazer a ronda no Campus, já que não haveria uma limitação à área de atuação dos policiais. A respeito da inexistência de um contrato entre a UnB e a Polícia, a Assessoria não soube nos responder.
Os limites da atuação da polícia no Campus sempre causaram polêmica. Mais recentemente, o assunto voltou à tona. No ano passado, membros do DCE organizaram uma ocupação do Gabinete do Reitor para reivindicar, entre outras coisas, a revisão da relação entre polícia e Universidade. Os estudantes conseguiram uma reunião com Timothy Mulholland (à época, reitor recém-eleito), mas não houve acordo.
Discussão sobre peça de teatro suscita reflexões entre atores e público
por Bárbara Rosa e Carolina Menkes
Sexta-feira, 12h30. Hora do almoço para a maioria das pessoas, mas não para quem resolveu prestigiar o elenco da peça Molly Sweeney – Um Rastro de Luz (em cartaz no CCBB), convidado do projeto Pontos de Visão. Organizado pela DEA da UnB, o projeto é conhecido por promover discussões mensais com convidados de todo o Brasil, sendo o anfiteatro 09 o palco deste bate-papo. No último dia 21, até as escadas do local encontravam-se lotadas com o público ansioso pelo debate dos atores.
A peça, dirigida por Celso Nunes, é baseada no texto do irlandês Brian Friel, que por sua vez teve inspiração a partir de um caso verídico. A história é composta por uma estrutura de três atores que se dirigem à platéia com três pontos de vista distintos, mas que contém o mesmo depoimento. A atriz Julia Lemmertz interpreta a protagonista Molly, mulher portadora de deficiência visual que, apesar de satisfeita com sua vida, passa por uma cirurgia que lhe restitui a visão. Segundo a atriz, “esta é uma peça simples e sofisticada, na qual o espectador pode visualizar a história até de olhos fechados”.
Frank (Orã Figueredo), o marido de Molly, é um homem ambicioso e idealista. “É uma peça sem muitos efeitos, mas que prende a atenção”, destaca o ator. Já o veterano Ednei Giovenazzi interpreta o oftalmologista que vê na cirurgia de Molly uma oportunidade para tirá-lo da escuridão em que se encontra desde que a mulher o deixou. Após uma breve apresentação da peça pelos atores, a platéia pôde fazer uma série de perguntas aos convidados. Alexandre Fonseca, aluno do 6º semestre de Serviço Social, destacou-se ao dar um depoimento marcante sobre a superação de suas limitações na busca da felicidade. O ator Giovenazzi emocionou-se e aproveitou para finalizar o bate-papo com uma grande lição. “A gente na vida tem que ir atrás de sua própria identidade, não em função do outro, mas em função de si mesmo. Assim como Molly, temos que buscar nos reencontrar e não reencontrar com'', aconselhou.
Serviço
A peça estará em cartaz até o dia 29 de janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). De quinta a sábado às 21h. Domingo, às 20h. Ingressos: R$15,00. Estudantes pagam meia-entrada.
Rodrigo Dantas sai da presidência da ADUnB
Sindicalista tem projeto político junto ao PSOL e não descarta uma candidatura a Governador do DF
por Guilherme Rocha
Rodrigo Dantas saiu ontem da presidência da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB). Dantas conversou com o Blog do CACOM na manifestação de hoje do MPL, à qual ele aderiu não como sindicalista, mas por motivações próprias.
O motivo da saída da direção do sindicato foi um projeto político com o PSOL. Segundo ele, "se possível", Rodrigo pode candidatar-se a Governador do Distrito Federal. "Tudo ainda depende de conversa com o partido", declarou ele.
Rodrigo Dantas comandou o movimento grevista dos professores na UnB no ano passado e foi um dos defensores da saída da greve, mesmo sem todas as reivindicações atendidas.
MPL segue com manifestações
Endossado por estudantes, movimento se reúne novamente na Rodoviária. Audiência Pública ainda não saiu
por Guilherme Rocha
O Movimento Passe Livre (MPL) cumpre sua promessa de não parar com manifestações "até que este aumento das tarifas seja revogado" [segundo Nota Pública divulgada hoje]. Hoje, mais uma vez, o palco foi a Rodoviária do Plano Piloto e arredores como a Esplanada dos Ministérios, a W3 e o Setor Comercial Sul. A polícia acompanhou o ato sem avançar. Fora pessoas isoladas, os manifestantes não provocaram o policiamento.
Com gritos de "Eu pulo a catraca, sim!" e Venha para a luta contra o aumento!", o grupo conquistou a adesão de boa parte das pessoas ao redor. "Vale a pena [este tipo de manifesto]. Expressa um descontentamento.", aprova Hércules Silva, estudante de Letras-Japonês na UnB. "A tarifa dificulta para os que estudam e trabalham", acrescenta Elaine Santana, usuária do transporte público.
Porém, nem todos estavam contentes. Os comerciantes do local sofriam com o afastamento de clientes. "Os ônibus vão lá pra cima [estacionam na parte superior da Rodoviária] e diminui o movimento", lamenta Rogério Pereira, funcionário de uma banca de jornais. "É muita bagunça e tira o conforto dos passageiros", afirma Socorro Dutra, vendedora ambulante.
À medida que crescia o número de pessoas, o grupo fechava diversas vias e convocava mais pessoas para o ato. Em uma das mais duradouras paralisações do trânsito, ao lado do Teatro Nacional, a polícia retirou ninguém do caminho, por mais que os motoristas buzinassem e tivessem que passar pela grama. Segundo oficiais, foram "ordens superiores" de não intervir.
A audiência pública requerida pelo MPL junto à Secretaria de Transportes ainda não foi concedida, o que dá margem para futuras ações. A Secretaria exige o fim das manifestações para uma negociação, enquanto o MPL exige o retorno da tarifa para o valor anterior. Na Nota divulgada, ficou "a ameaça de que se esse aumento não for revogado o mais rápido possível, a cidade vai parar."
O MPL é um movimento composto por estudantes, desempregados e simpatizantes que visa melhorias no transporte público. O ideal do movimento, por vezes, é contraposto a atos de vandalismo como apedrejamento de veículos. No entanto, nos últimos dois atos na Rodoviária, a ação foi pacífica.
Exibição de filmes na UnB, para os mais diversos gostos e entrada franca
por Ana Araújo
Essa semana é a “Semana Animação” promovida pelo Núcleo de Vídeo Comunitário. Além de Os Incríveis (exibido ontem), mais quatro filmes fazem parte da programação. As sessões são às 12h no anfiteatro 15, ala norte do ICC. O filme de hoje será Madagascar. Os próximos serão O Quarteto fantástico (25/1), Robôs (26/1), e O Espanta Tubarões (27/1) finalizando a semana. A realização fica por conta do Serviço Artístico e Cultural SAC/DEA/DAC.
A BCE também traz cinema à UnB, a partir de amanhã. As primeiras obras são do Expressionismo Alemão, movimento pós-Primeira Guerra, trazendo filmes com atmosfera sombria. A exibição abre com O Gabinete do Dr. Caligari, e segue com A Morte Cansada (01/2), Nosferatu (08/2), Fausto (15/2) e Metropolis (22/2). Os filmes serão exibidos em duas sessões, às 12h e às 18h, no Auditório Multimeios da Biblioteca Central. A realização é da Programação Cultural, Multimeios, Obras Raras – BCE –UnB.
Dirigentes do partido expõem suas idéias em anfiteatro lotado
por Gabriel Castro e Marco Prates
Hoje deputados e ativistas afiliados ao PSOL, Partido Socialismo e Liberdade, fundado em 2004 por ex-petistas, fizeram seu Ato Político de Lançamento na UnB, no anfiteatro 9.
Estiveram presentes os deputados federais João Babá (PA), João Alfredo (CE), Maria José Maninha (DF) e a presidente do partido, senadora Heloísa Helena (AL); representando a UnB estavam Rodrigo Dantas, presidente da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB), Rogério Marzola, membro do Sindicato dos Servidores da Fundação Universidade de Brasília (SINTFUB) e Fábio Félix, aluno de Serviço Social. Luciana Genro, líder da Bancada do PSOL na Câmara, não pôde comparecer por estar em votação no Congresso Nacional.
O ato, além das críticas ao governo Lula, tratou de assuntos relativos à universidade como a verba destinada às instituições federais e o suposto partidarismo de algumas instituições estudantis. Sobressaiu-se a declaração de Fábio Félix sobre atuação do PSOL junto às minorias, ao propor a união de todos a fim de parar o movimento tucano presente tanto no DCE (representante dos estudantes da UnB) quantos nos Centros Acadêmicos. Babá, professor licenciado da UFPA, lembrou do orçamento de 7 bilhões destinados às universidade públicas de todo o país que, segundo ele, é insuficiente se considerado que a maior parte já é gasta com o pagamento dos professores e servidores.
O deputado João Alfredo respondeu ser necessário nas universidades brasileiras o debate com livre expressão de cada cidadão interessado em política ou em partidos específicos, seja lá o PSOL, PSDB ou PT. Não quis se adiantar quanto a uma proposta de seu partido junto às universidades públicas, mas ressaltou que se trata de um terreno muito fértil onde ainda há uma desacomodação e certa rebeldia que foi muito útil ao PT em seu surgimento, momento no qual o próprio deputado se filiou ao Partido dos Trabalhadores.
A chegada (atrasada) da senadora Heloísa Helena foi acompanhada de palmas e ovações, assim como seu discurso, o último, com críticas ao governo Lula e a exaltação do socialismo como forma mais justa para construção de “um país melhor”. A senadora ainda confirmou sua candidatura à presidência da República.
Segundo Éster Cleane, voluntária do partido, o PSOL conseguiu por volta de 100 novas filiações até o momento do término do evento, superando as próprias expectativas.
Todo o evento transcorreu sem confusão.
Os estudantes do sétimo e oitavo semestre do Curso de Comunicação Social, em parceria com o Centro Acadêmico, realizarão amanhã a SOCIALIZE, uma festa com o objetivo de integrar pessoas e fazer novos amigos.
A festa começará às sete horas da noite, no CACOM, e quem for deve levar o que for comer, beber e ouvir.
Último permissionário da xerox da FA fala pouco e não esclarece que fim tiveram os textos
por Ana Araújo e Guilherme Rocha
Rafael Ferreira, último permissionário da xerox da FA, disse ao CACOM que retirou a copiadora do local porque “a UnB não quis” que ele continuasse. A declaração confirma o que Rita de Cássia, funcionária da Prefeitura do Campus, disse ontem em entrevista exclusiva.
A novidade, porém, está no destino dos textos que a xerox mantinha. Ferreira afirma que foi ele quem montou as pastas, mas que não adianta ninguém procurá-lo, pois não há como ele passar o material para alguém. O ex-administrador, cujo contrato com a Prefeitura acabou, não explicou onde os textos estão.
A idéia da Prefeitura é realizar uma licitação para o uso do espaço.
Negando as expectativas de um fim dramático para a manifestação de ontem, levando em conta a da semana passada, o pacifismo roubou a cena na Rodoviária da capital. Dos 1400 policiais militares que atuam no Plano Piloto, estima-se que 1000 estavam presentes no local a fim de conter os manifestantes, os quais reclamavam do aumento médio de 21,5% nas tarifas do transporte público.
A maioria dos protestantes era composta de estudantes universitários. Ao longo do percurso a massa foi ganhando corpo, e aqueles que só observavam, abraçaram a causa que foi abordada de forma pacífica. Na própria UnB, um agrupamento de pessoas foi formado com a intenção de instruir os manifestantes a agir de forma calma e consciente, sem se deixar levar por impulsos.
O estudante Rafael Moura, juntamente de um dos instrutores da manifestação, confirmou a tendência tranqüila do movimento, mas foi claro ao dizer que os organizadores estavam preparados para eventuais intervenções policiais, contando com uma comissão médica e também advogados.
Y.B.C, integrante do Movimento Passe Livre (MPL), justifica a sua posição descrevendo o sucateamento da frota de ônibus do Distrito Federal. Ele diz ser incabível a explicação dos responsáveis pelo aumento das tarifas de que o capital das passagens será revertido para a renovação dos ônibus, já que o preço para tanto vem sendo pago há anos. Cita ainda um pedido que o Movimento teria feito à Secretaria de Transportes a respeito da planilha de custos das empresas de ônibus comprovando a necessidade do aumento das passagens, o que, segundo ele, ainda não foi atendido. De acordo com Y.B.C, um economista teria feito os cálculos e chegado à conclusão de que R$1,00 já é suficiente para cobrir os gastos que as empresas têm com os transportes.
A manifestação optou ,como forma de protesto, fazer um percurso que saía da plataforma inferior da rodoviária, seguia pelo Eixo Monumental, passava pela W3 Norte e Eixo Rodoviário Norte, e retornava à plataforma superior. Durante a trajetória, hinos do tipo “Trabalhador, venha pra rua, porque essa luta também é sua!” compunham o repertório altamente convidativo, arrastando apoio por onde passava. Um grande número de observadores engrossava a multidão, entre eles a polícia. Integrantes do MPL vestiram-se de palhaços, ilustrando a forma descontraída como encaravam o protesto.


A cobrança em cima dos políticos visava uma atuação mais ativa por parte deles em relação à proposta do manifesto. Mas a presença de partidos políticos no movimento, como o PCO, causou certa revolta nos estudantes, os quais exigiram a retirada das bandeiras que representavam o mesmo. Alegavam ser um movimento apartidário e independente da UNE e UBES.
Segundo a Polícia Militar, a quantidade de manifestantes estimada era de 350 a 500. E ela expressou ainda contentação diante da nova postura adotada pelos integrantes do movimento, os quais não insistiram em “confrontos ou nada similar”. Enfim, o recado foi dado de forma racional e organizada. Basta saber se a mensagem foi captada.
Contribuíram: Diogo Alcântara, Fabrício Marques e Janine Moraes
Nem processada, nem abduzida. Xerox da FA perde o direito de usar o espaço devido a reclamações dos estudantes
por Ana Araújo e Juliana Braga
Desde o retorno das aulas, funcionários e estudantes procuravam saber o que aconteceu com a xerox da FA. Ninguém sabia explicar ao certo quando e como a copiadora tinha desaparecido. Tantos os alunos quanto os professores que precisavam dos textos não sabiam o que fazer.
"Tive de pedir emprestado os textos de uma amiga. É incrível como sumiu a xerox e ninguém viu!", espanta-se João Carlos Peçanha, estudante do 2º semestre de Ciências Sociais. "Mesmo durante a greve, havia pessoas freqüentando a FA e ainda assim não temos uma explicação", completa.
Esta manhã, conversamos com a funcionária da Prefeitura do Campus, Rita de Cássia Ribeiro, coordenadora de Concessão e Postura. Segundo ela, ao contrário do que se dizia, a xerox da FA não foi processada por copiar livros nem desapareceu misteriosamente. Ela perdeu o direito de usar o espaço devido a reclamações dos próprios estudantes e ao fato de não ter havido uma licitação para escolher quem a administraria. Rita esclareceu que as reclamações começaram há dois anos e, como já havia o interesse de licitar o espaço e construir uma copiadora no prédio, decidiram pedir o local de volta. Acompanhe a seguir a entrevista na íntegra.
CACOM: O que aconteceu de fato com a xerox da FA?
Rita de Cássia: No ano passado nós decidimos que qualquer permissão aqui dentro do campus seria feita através de processo licitatório. Aquele espaço, na realidade, foi construído pelo (até então) permissionário no ano de 95 por necessidade de xerox lá. Há uns dois anos nós começamos a receber reclamações sobre o atendimento e os preços e logo em seguida nós recebemos várias reclamações por escrito. Isso não é comum, pois as pessoas preferem telefonar, poucas têm coragem de fazer queixas por escrito. Estudantes informaram-nos de que o ponto tinha sido passado para uma outra copiadora e somente através de contatos telefônicos confirmamos que o antigo permissionário não administrava mais a copiadora. Nunca tivemos problemas com o permissionário (Rafael Ferreira, último administrador da xerox), uma excelente pessoa, mas sempre tivemos reclamações. Como já estávamos com essa idéia de licitar o espaço, construir algo realmente digno de uma copiadora no prédio, nós resolvemos pedi-lo de volta.
CACOM: Quando eles deixaram o espaço?
RC: Dia 26 de dezembro foi dada a autorização para que eles retirassem a estrutura da copiadora, que pertencia a eles mesmos. Eles devem ter retirado entre os dias 26 e 27, uma vez que a autorização foi dada à tarde.
CACOM: O que vai acontecer com os textos?
RC: O permissionário levou os textos e eu estou disponibilizando o telefone dele para que os estudantes e professores conversem com ele sobre o assunto. Ele afirma ter montado as pastas e não ter se achado na obrigação de deixá-las, mas eu acredito que ele está devolvendo os textos, pois as pessoas vêm aqui, pegam o telefone dele e não retornam. Quer dizer, devem estar conseguindo.
O telefone para contato com Rita de Cássia Ribeiro é 3307-2800. Ela disponibiliza também um endereço eletrônico: ccpprc@unb.br.
O CACOM ainda não conseguiu falar com Rafael Ferreira.
As informações dadas pela nossa repórter, Pollyane de Oliveira, que está na rodoviária nesse exato momento, não são as melhores para os estudantes.
Os policiais retiraram todos os ônibus do local, ou seja, só há agora estudantes e policiais. De acordo com Pollyane, são mais de 500 policiais e 20 viaturas do BOPE.
Os manifestantes gritam que o preço das passagens está mais alto que da maconha, com bastante ironia.
O clima está esquentando cada vez mais. Os policiais ameaçam atacar e estão cercando toda a rodoviária. Os manifestantes ficam mais nervosos com a grande repressão (visual por enquanto, sem repressão física), mas nada aconteceu ainda.
A manifestação foi organizada pelo MPL e conta com grande apoio do DCE da UnB, os mesmos responsáveis pelo ato da semana passada na rodoviária. O objetivo é chamar a atenção da população e governo em torno do grande aumento das tarifas de ônibus e a falta de qualidade dos transportes.
Mais notícias a qualquer momento, aqui no blog do CACOM.
texto: Aerton Guimarães
Xerox da FA simplesmente sumiu.Os alunos estão sem os textos e nem mesmo os professores sabem o que aconteceu
por Ana Araújo e Juliana Braga
por Guilherme Rocha
O DCE (Diretório Central dos Estudantes) desmentiu hoje a Polícia Militar (PM) ao afirmar que a reação violenta no manifesto da última sexta-feira partiu primeiro dos policiais. Por meio de sua assessoria, a PM afirmara que só avançam “para conter a violência”, mas que a depredação “não é feita por todos, são pessoas isoladas”.
Segundo Wagner Guimarães, coordenador-geral do Diretório, a pancadaria começou quando os manifestantes, que incluíam a população que estava na Rodoviária, tentaram pegar os ônibus sem pagar. Isto fez com que os policiais usassem os cassetetes. Então, “a ação causou uma reação” e que os organizadores do manifesto, o Movimento do Passe Livre (MPL), “não poderiam conter” a depredação.
Entretanto, apesar de considerar justificável o apedrejamento dos ônibus, tanto Wagner quanto Artur Sinimbu (coordenador de organização do DCE) consideraram errado destruir a estrutura da Rodoviária, como o caso dos ataques a alguns ambulantes. “Mas esta não é a orientação do MPL, foi a própria população que teve a reação violenta”, colocou Guimarães.
O MPL quer uma audiência pública com a Secretaria de Transportes desde o ano passado e até agora não foi atendido. O objetivo da audiência seria discutir o orçamento da Secretaria, o aumento das tarifas e a atual situação dos veículos.
Uma nova manifestação está marcada para a próxima sexta-feira (13/1).
Centro Acadêmico de Comunicação Social da UnB procura talentos para experiência inigualável. Há vagas para todas as habilitações da FAC
O CACOM está montando uma Comissão de Imprensa que engloba os três meios de comunicação da FAC: a RALACOCO, o jornal impresso e o Blog. O objetivo da Comissão é fazer uma cobertura da comunidade universitária. Qualquer estudante da FAC pode participar.
Há as funções de repórter, diagramador, fotógrafo, redator, produtor, revisor. Será montada também uma equipe de alunos de Publicidade para divulgar o projeto.
Os interessados deverão comparecer a uma reunião quinta-feira, ao meio-dia, na sala em frente à RALACOCO.
A Universidade de Brasília divulgará o resultado do primeiro Vestibular de 2006 no dia 13/2; nos dias 16 e 17 ocorrerá o registro (pré-matrícula). Quanto ao Programa de Avaliação Seriada (PAS), os alunos aprovados deverão fazer seus registros nos dia 2 e 3 do mês que vem.
O primeiro semestre de 2006 começa no dia 17 de abril.
Um filme de mocinhos e bandidos
Por Leyberson Lelis
Encenada por samurais, juventude transviada e até por agentes da swat, a manifestação de ontem na rodoviária foi estrelada pelo descaso dos verdadeiros vilões, distantes dali, em seus carros importados com ar condicionado.
Não é um filme, mas poderia ser. Um misto de comédia e terror. O terror: seres humanos que são contaminados pela poluição da queima de gasolina entram em conflito. A comédia: o jornal anuncia o aumento da passagem e, perplexos, ficamos com a cara dos três patetas. Não, não é um filme. E eu não acredito que o trecho "tentar pular as catracas atrapalha o cidadão de bem e apedrejar ônibus só dá mais custos para os cofres públicos e coloca os passageiros em risco" seja o objetivo da manifestação que ocorreu na Rodoviária de Brasília na primeira sexta-feira de janeiro de 2006. Pelo que venho acompanhando do movimento, esse também não é o foco das pessoas sérias. Pular catraca é algo que está inserido na forma de protesto do Movimento Passe Livre (MPL). Mas apedrejar ônibus? Não.
O MPL e a maioria das pessoas que participou do ato ontem são pacíficos e lutam pelo direito do cidadão de ter um transporte gratuito. Sobre a manifestação como forma de protesto posso dizer que a fórmula não é nova e vários segmentos da sociedade em todo mundo a utilizam. Está desgastada? Talvez. Mas precisamos de novas idéias. Até que ela apareça, não há como sair descartando todas as fórmulas antigas. Eu, particularmente, sou contra os conflitos físicos entre os cidadãos. Deposito minha ânsia de violência nos filmes clichês de luta e perseguição. (Eu gosto de assisti-los, não vou mentir). Contudo, sou a favor das manifestações puxadas pelo MPL porque não li no roteiro nenhum clímax que citasse a palavra sangue.
A guerra dos civis
A guerra civil se instalou ontem. Culpa dos manifestantes? Em parte. Entretanto, partiu de uma minoria que se utilizada de uma radicalização perigosa: o conflito. A maioria das pessoas ali, repito, não foi lá para entrar em conflito. Eu acompanhei toda a manifestação a partir dos limites do meu campo visual e procurei me atentar às diversas reações. As pessoas ao redor, pela primeira vez, estavam apoiando a luta política dos jovens presentes. Elas se assustaram. Mas não foi com os jovens. E sim por causa da excessiva repressão da força policial. Desnecessária. Eu fiquei muito, mas muito abismado com o fato de ter uma cavalaria armada com espadas - instrumento medieval - e vestido com armaduras ao estilo dos samurais. Também fiquei assustado com policiais militares que, responsáveis por outra parte da culpa, colocaram adesivos da "Swat"(sem generalizar), isso mesmo, da "Swat", em cima de seus nomes na farda. Como também fiquei assustado no momento em que os jovens foram afastados como gado com cassetetes pelo contingente policial absurdo, acompanhados pelo Bope e pelos cavaleiros montados. Os cavalos estavam em posição estratégica de defesa – com as espadas levantadas, é claro. Percebi que nossa polícia está bem treinada. Só não mostraram direito quem são os verdadeiros bandidos.
Assim, iniciava-se o primeiro set de violência. Motivados pelo “Poder da Polícia”, legalmente instituído, os militares receberam ordens de desmontar a manifestação pacífica da “milícia” por meio de violência para – adivinhem – reconstituir a paz. Além da chuva, uma fina garoa de pedras e outros objetos começaram a cair nos policiais. Atiradas por alguns manifestantes, atrás da concentração do grupo de jovens. Atiradas também por pessoas que passavam na parte superior da rodoviária. Por senhores de idade, por mendigos. Por pessoas com deficiência mental (em sentido denotativo, sem espaço para interpretações de mal gosto). Até o lixo e os piquis dos ambulantes - por mais engraçado que seja – viraram arma. E não foram os jovens que simplesmente começaram a atacar.
Seis policiais feridos. Fato que não deveria acontecer. Foram jovens e crianças com hematomas de cassetete, quase duas dezenas presas. E olha que o Estatuto da Criança e do Adolescente garante o direito de que todos nessa faixa etária estão em período de formação e que a sociedade é responsável por eles. Garante também que eles não serão simplesmente presos, mas reintegrados quando estiverem em estado de conflito com a lei por meio de medidas sócio-educativas. Mas até crianças apanharam.
Fotógrafo machucado. Vidros de ônibus quebrados. A cavalaria invade a parte coberta, onde as pessoas esperavam o tumulto parar para pegar os caros ônibus. (cavalaria armada com espadas, as mesmas que decepam nos filmes de época). Passageiros amedrontados. Policiais batendo nos jovens em via pública. Muitos em cima de poucos jovens. Manifestantes revidando. Não todos, mas revidando, é claro. Não há inocentes, não há santos. Entretanto, a maioria querendo uma manifestação pacífica, com faixas e gritos de protesto. Outros, em quantidade menor, agindo como se fossem rebeldes revoltados e transviados.
A manifestação não foi tão simples como apareceu nos jornais. Aconteceu uma guerra? Sim, mas quem eram os criminosos, os manifestantes ou a polícia? Nenhum dos dois. Ambos têm sua culpa, mas a repressão, as tropas de choque, a falta de bom-senso e o uso excessivo da violência militar, ao meu ver, são explicadas por um só termo: guerra civil (mesmo temporária), que se configurou exatamente no lugar mais exótico e comum de todos, a rodoviária. Um lugar que concentra todo o sofrimento da população que arca com a difícil lida diária e com os prejuízos do interesse particular dos empresários.
Direito e dever
O transporte está na constituição como um direito das pessoas e um dever do Estado. Mas quem restringe esse direito? O sistema de transporte público é privado. Uma incoerência. Os empresários argumentam que estão com déficits em seus orçamentos. Eles, os mesmos que têm uma das passagens mais caras do Brasil e péssimos ônibus. Aqueles que têm até uma associação que serve como fundo para cobrir os seus "prejuízos". Por isso, não creio que o acontecimento de ontem seja algo tão simples como dizer que os estudantes passaram dos limites. O que passou dos limites foi o desrespeito com a sociedade em virtude do aumento dos encargos advindos das negociatas empresariais.
Eu analiso - com o alerta de não ser imparcial em nenhum momento. Afinal, tenho meus interesses nessa discussão – que, muitas vezes, esquecemos ou não temos a oportunidade de olhar as coisas em seu contexto e acabamos crucificando sem querer um acontecimento sem realmente entendê-los. Olha, tudo isso para falar também que ninguém ateou fogo ontem. Estive na rodoviária das 18h20 até às 21h15 - término de toda a confusão local. Acompanhei a manifestação, as confusões e, bem de perto mesmo, a cobertura dos jornalistas.
Pelas poucas matérias que li hoje, muitos deles foram hipócritas ao relatar o fato como mera baderna.Vale lembrar que a manifestação começou às 16h. Todavia, a guerra só aconteceu quando a polícia iniciou a sua operação de desobstruir a via dos ônibus, usando todo o seu frágil poder: a força bruta. Eu participei da manifestação até o momento em que ela se desfez e virou conflito. No instante em que a desordem – estimulada por quem deveria contê-la - impediu que os gritos de protesto e as reivindicações fossem expressas sem o risco de ser preso ou apanhar, deixei de lado a minha indignação com o aumento e constatei que a guerra civil silenciosa se iniciava. E que, se não existir uma maior sensibilidade de todos, ela só acabará com algum tiro dado em nervosismo e uma morte. Ou pior, com a covardia mutiladora do mau uso de uma espada.
Enquanto essa guerra civil existir, vou continuar acreditando que as manifestações pacíficas e novas fórmulas de luta, que por ventura nascerem, devem ser usadas em busca dos nossos direitos. O direito de poder exigir um “happy end” para essa e muitas histórias sem ser chamado de maniqueísta ou ingênuo. E, de preferência, com um sistema de transporte barato, inteligente, inclusivo e de qualidade.
Leyberson Lelis é estudante de Comunicação Social da Universidade de Brasília
1ª Reunião do Conselho da Faculdade de Comunicação de 2006
por Bárbara Lins
Na reunião da última sexta-feira (6), o professor Luiz Martins foi apresentado como novo Coordenador da pós-graduação e representante da FAC na Câmara de Pesquisa e Pós-Graduação, substituindo a professora Dione Oliveira. Para preencher a vaga da faculdade no Conselho Universitário (CONSUNI), a diretora Dácia Ibiapina criou uma comissão para realizar a eleição do próximo representante. Esta Comissão será presidida pela professora Zélia Leal.
O Conselho decidiu aprovar o pedido da professora Silvia Belmiro da Federal de Fortaleza para integrar o corpo docente da faculdade e o relatório do 28º mês do estágio probatório do professor Carlos Henrique Novis. O estagio probatório é uma espécie de avaliação que todos docentes têm que passar para ganharem a estabilidade na Universidade.
A reunião terminou com revalidação do diploma de graduação da professora Érika Bauer, concedido pela Escola de Cinema e TV de Munique/Alemanha, condicionado a entrega dos documentos pendentes.
Participaram da reunião os professores Luiz Martins, Rosângela Vieira, Zélia Leal, Dácia Ibiapina, Dione Oliveira e Nélia Del Bianco e eu como representante do Centro Acadêmico.
Por Guilherme Rocha
O aumento da tarifa para passagem de ônibus é absurdo. A qualidade dos ônibus não mudou, o estado da rodoviária também não. Não há mais veículos nem mais rigor no cumprimento de horários. A remuneração da população que utiliza este transporte também é a mesma. Alguns trajetos são curtos para ter um custo tão alto, inclusive o rodoviária-universidade. A inflação tem sido uma das menores nos últimos anos. O aumento no preço da gasolina pode servir de desculpa, mas por que o custo deve ser dos passageiros?
O preço do bilhete do metrô também aumentou. Porém, ele não é movido a gasolina, tem problemas para andar com período chuvoso, opera apenas até as oito horas da noite e não funciona no final de semana.
Parece que os preços aumentam pelo simples gosto de aumentar.
Entretanto, o tipo de manifestação feita hoje é condenável também. Tentar pular as catracas atrapalha o cidadão de bem. Apedrejar ônibus só dá mais custos para os cofres públicos e coloca os passageiros em risco.
Não se pode punir ainda mais a pessoa que trabalha, paga altos impostos e sofre com transporte caro e de má qualidade.
Estudantes da UnB protestam na rodoviária do Plano Piloto e confrontam a polícia
Por Guilherme Rocha
Hoje, ao fim do dia, estudantes da UnB fizeram manifestação na rodoviária do Plano Piloto contra o aumento das tarifas de ônibus. Policiais estavam no local, inclusive a cavalo, e entraram em confronto com os alunos. Estes apedrejaram ônibus (alguns com passageiros dentro), subiram em alguns veículos e até chegaram a um corpo a corpo com policiais.
A Estação Central do metrô, ligada à rodoviária, estava com policiamento reforçado para evitar que pulassem as catracas. O bilhete dos trens, que ligam Taguatinga, Samambaia, Águas Claras e a Asa Sul, aumentaram de R$1,50 para R$2,00.
Este ano, as passagens que custavam R$1,20 passaram a R$1,60; estas passaram para R$2,00; e estas outras passaram para R$2,50. Há diversos ônibus que levam à UnB (um faz exclusivamente o trajeto universidade-rodoviária) e os alunos com passe estudantil pagam um terço do preço normal da linha. O movimento de hoje foi feito por defensores do passe livre (gratuito).
Em estados como Santa Catarina, aconteceram movimentos semelhantes. Neste caso, o embate com polícia envolveu mais estudantes e foi mais violento.
Devido ao primeiro vestibular de 2006, a Biblioteca estará fechada neste sábado (7/1) e domingo (8/1).
Por Guilherme Rocha
Voltamos às aulas. Finalmente.
Mas será que voltamos mesmo?
Muitos professores só voltam semana que vem. Outros não dão o tempo integral de aula, pois é recomeço... pessoal sem ritmo...
Agora não é início de semestre; é hora de estudar mais para recuperar o tempo e repassar o conteúdo já estudado.
Enquanto ficamos nessa desmotivação, os estudantes de particulares tiveram seu semestre ininterrupto, estão de férias e já fazem seus planos.
A universidade pública ainda é melhor. Até quando, não sei.
Por Guilherme Rocha
Como já é do conhecimento de todos, a situação da universidade pública brasileira é crítica. A falta de verba e de atenção do governo levam o nosso ensino superior a um caminho traçado pelo ensino fundamental e médio das escolas públicas: o caminho do total sucateamento.
No tempo do meu pai (e do seu também), estudar em escola pública era sinônimo de ensino de qualidade. Hoje são poucas as instituições governamentais que dão estrutura para o estudo. A tendência agora é matricular os filhos em escolas particulares, muito mais estruturadas.
Portanto, a universidade pública não pode ser posta em segundo plano em relação a faculdades particulares como aconteceu com o ensino fundamental e médio. Ainda não chegamos a tal situação, mas muitos pais e alunos já descartam uma federal pelos seus inúmeros problemas.
Devemos buscar soluções.
Uma delas é o voto. Horário eleitoral não é tempo perdido. Acompanhar as campanhas não é tempo perdido. Aproveitemos este ano eleitoral e não joguemos nosso voto no lixo. Outro instrumento é a greve. Mas não esta greve que acompanhamos nos últimos quatro meses. Pelo contrário, toda a comunidade universitária deve se envolver e não tirar férias neste período. A sociedade tem que se identificar com o movimento. A greve deve impedir futuras greves e revigorar a universidade.
Saibam que a greve de 2008 já está marcada. Como as reivindicações não foram plenamente atendidas, uma nova paralisação é inevitável. Porém, já que assim deve ser, planejemos este movimento, a começar por não deflagrá-lo durante um semestre. Ou antes, ou depois.
E por que em 2008? 2006 é ano eleitoral (nenhum político dá a mínima atenção e todos os olhares voltam-se para as urnas); 2007 é uma “trégua”, pois é primeiro ano de mandato.
Daqui a dois anos teremos Olimpíada, muitos terão se formado, filhos e coisa e tal. Quanto a universidade? Ela irá parar de novo, mas podemos parar de parar.
As aulas na UnB finalmente reiniciaram. O calendário, como já fora divulgado aqui no blog, apresenta as novas datas: início em 3 de janeiro e fim do 2º semestre de 2005 em 27 de março.
Aos que pensaram que muitos professores e alunos não compareceriam nesta primeira semana de aula, aí vai uma boa notícia: grande parte dos professores estão trabalhando normalmente e os estudantes também estão presentes.
De acordo com a secretaria da FAC, 3 professores retornarão apenas na semana que vem:
Célia Ladeira (dia 9 de janeiro)
Luiz Martino (11 de janeiro)
Selma Regina (dia indefinido)
E para os alunos do professor Luiz Martins, fiquem atentos. Ele chegou de viagem hoje e estará em saula de aula amanhã mesmo, quinta-feira.
O CACOM aproveita o espaço para parabenizar os calouros do primeiro semestre de 2006 que ingressaram pelo PAS. (O resultado sairá em 15 minutos)
Aerton Guimarães e Guilherme Rocha
Este espaço é aberto a críticas. E também à produção de leitores. Envie textos, fotos, ilustrações e sugestões de pautas. Comunique-se conosco pelo email: blogdocacom@gmail.com.