Notas Expressas

Tivemos um enxugamento do nosso corpo de repórteres, mas estamos, aos poucos, retomando o ritmo de publicação de matérias.
(atualizado em 20 de outubro de 2007)


segunda-feira, 21 de maio de 2007

Duas visões sobre o ABORTO (I)

Tomando a questão levantada pela enquete da semana passada, trazemos hoje dois artigos com opiniões contrastantes sobre o tema.


O que já deveriam ter dito sobre o Aborto
Por Lucas Doca

A visita do papa Bento XVI ao Brasil e a declaração do Ministro da Saúde, Humberto Costa*, retomaram uma velha questão: a legalidade e a legitimidade do aborto. São aspectos diferentes, a legalidade é apenas o reconhecimento da justiça quanto à prática, já a legitimidade pressupõe uma aceitação popular. No Brasil, são realizados em média um milhão e 400 mil abortos anualmente, e mais de 50 mil adolescentes deram entrada nos hospitais públicos no período de 1993 a 1998 para tratar de complicações em decorrência de abortos mal realizados.

Os princípios não podem ser deixados de lado. Vale ressaltar, antes, uma grande barreira que enfrento ao escrever este artigo: por uma questão biológica, jamais vou viver uma gestação. Pode parecer inútil essa ressalva, mas poucos homens refletem sobre isso ao debater o aborto. Não vamos sequer ter a chance de abortar uma vida, então seria sem sentido tentar convencer alguém a não o fazer? Errado. Não é necessário ter a possibilidade de interromper uma vida para saber o mal que essa interrupção causa na sociedade. Não me prendo só a fatores religiosos ou morais - que são o maior pilar para rejeição ao aborto -; mostro a ideologia extraída também dos seguintes dados estatísticos:

  • A morte por aborto é a terceira causa de mortalidade materna no Brasil, e o Ministério da Saúde reconhece que, mesmo com a legalização, esses números reduziriam pouco, pois não se deve só a precariedade de operação, mas, em grande parte, à violência do processo;
  • As complicações em abortos constituem a quinta causa de internação de mulheres nos hospitais públicos.

    Se os princípios de conservação da vida não forem o bastante, se a responsabilidade por prevenção for esquecida, se impedir alguém de viver não for mais assassinato, então defendo a tese de Humberto Costa. Portanto entre legalização ou repressão ao aborto, alguma coisa deve ser feita. E que cada um vá lapidando seus argumentos, porque essa discussão deve ser longa.

    *A declaração do ministro Humberto Costa é a de que o debate acerca do aborto vai muito além de ética médica ou de moral familiar, ele se tornou um problema de saúde pública.

    Participe também desta discussão.
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  • 2 comentários:

    André Souza disse...

    Sugiro que o autor procure se informar melhor quem é o ministro da saúde. Depois de Humberto Costa, já passaram três titulares pela pasta. O atual se chama José Temporão.

    Lucas Doca disse...

    Você tem total razão André, e peço desculpas pela informação errônea. O médico sanitarista José Gomes Temporão foi quem fez a declaração,reafirmando a do presidente, e está em posse do ministério da saúde desde o dia 19 de março.

    Vou me policiar mais para evitar distações desse tipo. Obrigado.