Notas Expressas

Tivemos um enxugamento do nosso corpo de repórteres, mas estamos, aos poucos, retomando o ritmo de publicação de matérias.
(atualizado em 20 de outubro de 2007)


quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Futebol!

Em pleno feriado.
por Vitor Matos

A coluna de hoje homenageia uma das mais respeitadas instituições desse Brasil. Fundada no século XIX, ela comemora, nesse 15 de novembro, mais de 110 anos de pura seriedade e competência. Um orgulho para os brasileiros, verdadeiro símbolo da nossa nação. Seus feitos passados são lições de heroísmo e bravura. Os serviços que prestou à pátria ajudaram a alçar o Brasil à honrada posição que ele atualmente ocupa no cenário mundial. O que seria de nós sem ela?

Não vá pensar o leitor que falo da República Federativa do Brasil, por favor. Estou me referindo ao Clube de Regatas do Flamengo ― também chamado de Mengão pelas arquibancadas. Esse colosso do esporte nacional veio ao mundo num ensolarado 17 de novembro de 1895― no entanto, seus primeiros dirigentes convencionaram que o aniversário do clube fosse celebrado no dia 15, para coincidir com o feriado nacional ―, pelas mãos de homens como José Agostinho Pereira da Cunha, Mário Spindola, Nestor de Barros e Augusto Lopes, os genuínos pais fundadores. Lá se vão 111 anos, parece que foi ontem.

Por tabela, estão de parabéns também 33 milhões de brasileiros, felizes homens e mulheres seguidores do rubro-negrismo. São tantas pessoas que a ONU poderia classificar os flamenguistas, assim como os curdos, como uma nação sem território definido.É a maior torcida do mundo. Isso sem contabilizar os rubro-negros que já não estão entre nós, mas que com certeza ficam de olho no Maracanã em tarde de domingo: Bussunda, Mussum, Ari Barroso, Papa João Paulo II, e tantos outros. E não posso esquecer de destacar, nessa data festiva, os grandes jogadores que vestiram o manto sagrado ao longo dos anos: Leônidas da Silva, Gérson, Didi, Vavá, Evaristo de Macedo, Zico, Leovegildo da Gama Júnior, Romário, Obina. Um panteão.

A coincidência de suas datas de fundação e seus destinos diametralmente opostos deixa uma pergunta inevitável no ar: por que o projeto de Nestor de Barros & amigos foi tão mais bem-sucedido que o do Marechal Deodoro da Fonseca & comparsas? Vários estudiosos se descabelam para responder a questão, mas uma análise sóbria só será encontrada aqui, nesta coluna. Penso que o sucesso do Flamengo e o fracasso da República residem no fato de que, enquanto esta sempre foi excludente ― vide as oligarquias detentoras do poder, que relegam o povo brasileiro à margem da vida nacional ― aquele notabilizou-se, desde o início, pelo acolhimento das massas ― é só lembrar que os negros, que não eram aceitos em clubes como o Fluminense, ajudaram a formar o futebol do Mengão. As diferenças crucias não param por aí. Enquanto a República acaba com o nosso domingo, obrigando-nos a enfrentar filas para escolher os chefões, o Flamengo alegra o domingo ― mesmo quando é goleado pela Ponte Preta. E, por fim, a República toma nosso dinheiro, através de um batalhão de impostos. O Flamengo, por sua vez, toma o dinheiro da República, sonegando todos eles. É um Robin-Hood, afinal!

“Urubu! Urubu!
Abre as asas sobre nós!”

Extraído do Hino da República (com adaptações)

3 comentários:

André Souza disse...

Muito bom.

Anônimo disse...

Obina é brincadeira...

Marcio Rocha

André Souza disse...

Obina é brincadeira?
Não, ele é ...
... melhor que o Eto'o.