Notas Expressas

Tivemos um enxugamento do nosso corpo de repórteres, mas estamos, aos poucos, retomando o ritmo de publicação de matérias.
(atualizado em 20 de outubro de 2007)


sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Artigo

Pregadores do Vazio
por Gabriel Castro

Olavo de Carvalho já elogiou publicamente este blog. Retribuo: começo este artigo com uma frase dele: “O oposto da fé não é a razão. É a covardia”

A capa da revista Época desta semana pergunta: A Ciência vai matar Deus? A simples existência dessa indagação já traz a resposta. Deus ainda não morreu? Então ele sobreviveu ao Darwinismo, à teoria do Big Bang, à Relatividade e ao Genoma (sem falar nos movimentos culturais baseados no ateísmo). O que mais vai matá-lo? “Matar” Deus sempre foi o sonho de boa parte dos cientistas. E cada fracasso deles só torna a tentativa mais ridícula. Vez ou outra, surge um novo anti-Messias bradando com a convicção dos estúpidos: “Agora sim, Deus está morto!” (Nietzsche apenas lançou a moda). O último dessa linhagem é Richard Dawkins, o garoto propaganda mundial do ateísmo. Mas eles não parecem ter tido tanto sucesso. Até porque, se algum deles realmente tivesse conseguido matar Deus, todos os outros teriam sido desnecessários. Época pergunta se Deus vai ser morto pela ciência simplesmente porque admite que isto não aconteceu.


"A confusão dos cientistas anti-religiosos é tentar explicar o sobrenatural com a ciência, que se propõe apenas a estudar o que é observável, possível de se repetir e mensurar. Não se criam milagres em laboratório."

O homem moderno é ainda um caipira iludido com as luzes da ciência. Com os inegáveis avanços tecnológicos dos últimos tempos, muitos tendem a acreditar que a ruptura do mundo moderno com a religiosidade é questão de tempo. Mas não passa de uma impressão inicial, sob efeito do impacto da evolução científica. É inegável que, no Ocidente, as instituições religiosas vêm perdendo influência. E é compreensível: da Inquisição aos padres e pastores pederastas, a religião organizada cometeu uma série de erros graves. Mas isso não implica automaticamente no declínio da fé; pelo contrário. Os cristãos europeus e americanos hoje têm mais firmeza e convicção, porque estão habituados ao debate com ateus e agnósticos. Um inglês do século XVII era cristão porque não tinha alternativa. Hoje, quem segue o Cristianismo o faz por uma escolha indivudual, baseada em valores profundos. A diferença é que hoje, na Europa, os cristãos são 50 ou 70% da população, e não mais 100%. Mas o movimento sadio de idéias que existe hoje entres os religiosos não existia há 100 ou 200 anos.

A confusão dos cientistas anti-religiosos é tentar explicar o sobrenatural com a ciência, que se propõe apenas a explicar o que é possível de se observar, repetir e mensurar. Não se criam milagres em laboratório. Na prática, a religiosidade cotidiana passa longe dos debates científicos. E não porque seja falha. É assim porque Ciência e Religião não tencionam ocupar o lugar uma da outra. Ninguém imagina que a Ciência deva se render à Religião. Mas os modernos pregadores do vazio pretendem aniquilar qualquer indício de religiosidade tradicional.

Qualquer um que se dedique a estudar a história do Cristianismo e sua evolução no Ocidente chega a uma conclusão: a fé em Cristo, se fosse vazia e sem significado, já teria perecido há muito tempo. Há alguma coisa especial numa seita personalista de aldeões pobres que se espalha pelo mundo e conquista bilhões de almas. Maomé era guerreiro; o Islam se expandiu com a conquista territorial, apoiado na força sanguinária de seu líder. Mas Cristo se limitou a operar milagres. E eles foram suficientes. A Ciência moderna, herdeira da liberdade que só existiu na sociedade judaico-cristã, por vezes parece se comportar como o filho adolescente que, por falta absoluta de problemas, trata de implicar gratuitamente com o pai. No fundo, a perseguição infantil dos ateus militantes com o Cristianismo (digo o Cristianismo porque nenhum deles se atreve a ofender o Islam) só demonstra como eles se alimentam da fé para dizer que a combatem.

O que seria do mundo sem religião? Época fez esta pergunta aos ateus militantes. Eles se apressaram em dizer que a espiritualidade continuaria a existir. Nós cultuaríamos a natureza. É a glorificação do ridículo: destruir tradições culturais milenares, destruir a esperança na regeneração do homem para, no lugar, virarmos adoradores de árvores. É o que parte dos ateus nos propõe. Não é à toa que, depois de décadas de intoxicação cultural liberal, o Cristianismo americano passe por um forte reavivamento. “Se Deus não existe, não deveriam existir ateus”, disse certa vez Ronald Reagan. Pena que ele já esteja morto para explicar isso ao sr. Dawkins.


As artigos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião deste Blog, sendo eles responsabilidade de seus autores.

9 comentários:

Illyana Barbosa disse...

uuuh! o_o pior é que é verdade... isso é um saco. eu queria discordar. but I can't
eu acho paradoxal um ateu negar a existência de um deus para glorificar outras(árvore, besouro, gato, nuvem, vento, etc)... eu achei que ateu era quem negava a existência de qualquer divindade...é incrível como o ser humano consegue ser tão incoerente.
mas a grande pergunta que deve ser feita antes de dizer 'Não se criam milagres em laboratório' é: Será que há realmente milagres? vai saber, não é!? nós sequer somos capazes de matar a idéia de existência de um deus. u.u

João Paulo disse...

O triste é ver que o blog foi elogiado por Olavo de Carvalho. Logo 1 blog de uma entidade estudantil... isso é deprimente e muito disso é culpa tua Gabriel.
Seu inútil!

Anônimo disse...

Adorei o texto.. Vc escreve de um jeito mto peculiar.

E faz mto sentido oq vc disse aí.

Obs:O rídiculo aki é esse cidadão aí de cima!

André Souza disse...

Infelizmente, deus não será morto.
Mas fica a pergunta: haveria neste texto uma referência ao saudoso Gustavo de Castro?

André Souza disse...

Mais uma coisa. Não basta dizer “se Deus não existe, não deveriam existir ateus”, é preciso explicar esse pensamento. Do contrário, acaba não significando nada.

Anônimo disse...

Muito em breve veremos a Glória de DEUS!!! Sinceramente, espero que não seja tarde para aqueles que não crêem.

Marcelo disse...

Ah, os neoconservadores! Sempre tão cartesianos em suas análises da fé. Dogmas não foram feitos para serem analisados, por isso são dogmas. Não deixo de concordar com a visão do autor de que os ateus vivem em uma busca hipócrita pela auto-destruição (afinal, não existe significado no ateísmo se Deus não existir), mas acho exagerada a defesa ao cristianismo.

PS: Olavo de Carvalho é o maior lixo da história do jornalismo brasileiro. O fato dele já ter elogiado o blog deveria ser escondido do público,e não lembrado com orgulho. Uma pena.

Paula disse...

Sinceramente, Olavo de Carvalho ter elogiado o Blog é uma vergonha!Ele representa o oposto do jornalismo que o Blog faz...

João Paulo disse...

o anônimo que elogiou o texto e talz deve ter sido o próprio Gabriel. Senão ele poderia ter dado as caras.
Como outras pessoas disseram.. Olavo de Carvalho ter elogiado o blog só deveria envergonhar o CACOM. É uma grande mancha na história desse CA