Notas Expressas

Tivemos um enxugamento do nosso corpo de repórteres, mas estamos, aos poucos, retomando o ritmo de publicação de matérias.
(atualizado em 20 de outubro de 2007)


quinta-feira, 14 de setembro de 2006

O voto em questão

Gilson Dobbin não poupa ataques ao capitalismo, à imprensa, à Igreja e aos EUA. O candidato a Senador aposta numa aproximação com o povo para transformar o Brasil em um país socialista
por Gabriel Castro


Gilson Vasconcelos Dobbin é brasiliense, tem 42 anos e trabalha como servidor público. Divorciado e pai de cinco filhos, disputa pela terceira vez uma eleição. Em 1998, Gilson foi candidato a deputado distrital. Em 2002, assim como neste ano, candidatou-se ao Senado. Seguindo o discurso de seu partido, o PCO, o candidato repete que a imprensa e o TSE, a serviço da burguesia, estão pondo em prática uma campanha que pretende extinguir o PCO.

Gilson Dobbin militou no PT entre 1989 e 1991, quando foi expulso junto com a tendência que integrava dentro do partido (Causa Operária). Em 1995 surgiu o Partido da Causa Operária, do qual é membro desde então. De linhagem trotskista, o PCO é o mais radical partido da esquerda brasileira. Os seus integrantes preferem dizer que são o único partido socialista do país.

O PCO defende algumas propostas polêmicas. Entre elas, estão a legalização do aborto, o rompimento do Brasil com a ONU, a estatização de todos os bancos e o aumento do valor do salário mínimo para R$ 1.900. Gilson Dobbin ataca o PT (“um partido de direita”), o PSTU (“muito confuso”) e o Psol: (“um partido que está sendo levado à frente pela direita”). O PCO não se aliou a nenhum partido nas eleições. Não por sectarismo, segundo o candidato, mas por falta de opções.

Segundo Dobbin, as propostas do PCO não são utópicas, mas são projetos para serem postos em prática. O salário mínimo alto, por exemplo, é defendido sob o argumento de que iria “movimentar a economia”. A reforma agrária defendida pelo candidato e seu partido é ampla, e propõe o fim do latifúndio, produtivo ou não. Apesar de o PCO ser contrário à grande maioria das proibições morais, surpreendentemente o partido é contra a legalização das drogas. Gilson Dobbin justifica: “O Estado precisa proteger as pessoas que são alvo de quem lucra com as drogas”.

O PCO se diz um partido revolucionário. Mas, segundo Dobbin, isso não significa que o partido despreza as eleições. Ele diz que só uma mobilização direta com as massas vai mudar o país, mas alega que o partido disputa as eleições seriamente: “Nós queremos ganhar as eleições”. Dobbin acredita que, se eleito, vai ter espaço para colocar em prática as propostas do PCO. Afirma ainda que faria isso conclamando o apoio popular para fiscalizar e pressionar os congressistas em suas decisões. Apesar da sua candidatura, Gilson Dobbin defende a extinção do senado. “É uma instituição conservadora”, justifica. No modelo proposto pelo PCO, existiria apenas a Câmara dos Deputados.

Apesar do fracasso das experiências socialistas na história, Gilson acredita que é possível conciliar um regime nesse modelo com as liberdades individuais. Ele diz que num governo do PCO a religiosidade seria respeitada, a imprensa seria livre e as empresas continuariam a existir. Mas ataca a Igreja, critica a mídia - que “persegue o PCO” - e promete acabar com as universidades e hospitais privados.

Para contato com o candidato: gilson.vasconcelos@superig.com.br
Comunidade de Gilson Dobbin no orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=18669494

3 comentários:

Thaíse disse...

Galera, atenção na foto. Saiu com data e com umas sombras muito macabras.

Gílson Dobbin disse...

Parabenizo o CACOM pelo espaço produzido e o jornalista pela boa percepção em nosso bate-papo.
É necessário, entretanto, esclarecer que a questão do salário mínimo se dá em função da "necessidade da população" e não simplesmente pelo fomento da economia.
Além do que, o Parlamento defendido pelo PCO não pode, de maneira nenhuma, ter este formato que não permite a população trabalhadora interferir nas discussões.

Saudações socialistas.

Anônimo disse...

GILSON DOBBIN, espero que esse comentário chegue a vc. Estava verificando os bens de alguns candidatos no site do TSE e tive uma grande surpresa, acho que boa: Brasília não é mais uma máfia imobiliária! Acho que a farra dos altos preços dos imóveis acabou! Sim, verificando entre seus adversários percebi que apt's no Plano e guará não chegam a 200 mil! No Guará é possível encontrar candidatos proprietários de aptos até por 85 mil! Incrível! Agora vc, vou te falar heim? O seu custa 500 mil!!! Ironias a parte, te parabenizo pela coragem e peço a vc que leve isso em seus comícios. Quem mente na hora de declarar bens não merece a confiança do povo! O eleitorado tem que ficar de olhos abertos! Boa sorte. Ainda não sei em quem votar, mas mesmo não sendo do PCO, pode ser que vc ganhe meu voto. =)