Notas Expressas

Tivemos um enxugamento do nosso corpo de repórteres, mas estamos, aos poucos, retomando o ritmo de publicação de matérias.
(atualizado em 20 de outubro de 2007)


quarta-feira, 13 de setembro de 2006

O Voto em questão

Candidato ao Senado, o professor Rodrigo Dantas possui 1% das intenções de voto, mas diz não se importar: "Não acredito em pesquisas"
por Carolina Martins
foto: UnB Agência

Dantas: "Se me derem meia hora para falar, eu ganho a eleição"

Nascido no Rio de Janeiro, estudou em um colégio de "educação libertadora" e aos 15 anos já militava no Movimento Estudantil. Fundou o núcleo secundarista do PT no estado e participou de forma ativa das Diretas Já. “Foi um aprendizado, uma experiência fantástica” - relembra Rodrigo Dantas.

A intenção era cursar História, disciplina que pretendia lecionar. Mas a família, de classe média, considerava a profissão de professor muito desvalorizada. Pressionado, Rodrigo mudou de idéia e começou a fazer Comunicação, mas logo desistiu. “Como jornalista, seria um escravo da propriedade privada dos meios de comunicação. Preferi a liberdade de ser professor” – explica Rodrigo. Então, decidiu fazer Filosofia; é bacharel, mestre e doutor pela UFRJ. Chegou em Brasília em 1995 para dar aulas na Universidade e em 2004 foi eleito presidente da ADUnB – Associação dos Docentes da Universidade de Brasília. No ano passado liderou a maior greve da história da UnB, que terminou sem alcançar plenamente seus objetivos. Apesar disso, Rodrigo acredita que as greves são positivas.

Rodrigo Dantas foi um dos fundadores do PSOL, numa tentativa de reorganizar a esquerda brasileira. Sua candidatura ao Senado atende a pedidos de companheiros do partido. “Eu me sinto pouco à vontade na condição de candidato porque eu detesto ser confundido com político, me dá uma náusea profunda” – revela Rodrigo que diz nunca ter pensado em se candidatar a nada. “Não estou confortável dentro desse processo, mas acabei aceitando. Estamos aí na luta, buscando fazer o melhor possível”.

A campanha de Dantas resume-se à distribuição de panfletos na rede de amigos e militantes “e um ou outro espaçozinho de mídia que a gente cava por aí” – complementa o candidato. E espaço na mídia é uma reclamação constante de Rodrigo. Segundo ele, “existe uma clara disposição dos meios de comunicação do Distrito Federal de não cobrir a eleição para o Senado para assegurar que Joaquim Roriz possa vencer sem fazer absolutamente nada”.

Todas as propostas de Rodrigo baseiam-se na ideologia socialista. Ele propõe romper com o FMI e parar de pagar o que ele chama de “dívida eterna”; defende uma postura de intervenção na economia, posicionando-se contra o neoliberalismo e ambiciona tirar o poder do Congresso e colocá-lo nas mãos do povo, principalmente por meio de plebiscitos. “Se eu for eleito, a primeira coisa que eu vou fazer é uma gigantesca proposta de emenda constitucional para a mais ampla democratização do poder político no país”. Além disso, pretende devolver ao Estado todas as instituições que foram privatizadas. “Vamos fazer igual Evo Morales”, afirma referindo-se à recente experiência do presidente da Bolívia.

Estatizar o transporte público, promover a reforma tributária, investir na universidade pública e, gradualmente, acabar com o ensino privado, também são intenções do candidato. “A educação, a cultura e o conhecimento não podem ser objetos de lucro, não podem ser mercadoria”.

Quando perguntado sobre porque as pessoas devem confiar nele para representá-las no senado, Rodrigo Dantas é enfático: “Eu só gostaria que as pessoas tivessem a oportunidade de me ouvir e aí decidirem se eu sou ou não confiável”.

Site oficial do candidato: www.rodrigodantas.org

4 comentários:

Carol Martins disse...

2º parágrafo, 10ª linha... tem um "e" sobrando ali!

André Souza disse...

"Como jornalista, seria um escravo da propriedade privada dos meios de comunicação. Preferi a liberdade de ser professor”

Menos.

“Eu me sinto pouco à vontade na condição de candidato porque eu detesto ser confundido com político, me dá uma náusea profunda”

Uma pessoa que, segundo o texto, "fundou o núcleo secundarista do PT no estado e participou de forma ativa das Diretas Já", além de ter liderado "a maior greve da história da UnB" não gosta de se assumir como político?

Quanto à "dívida eterna", ela já não assusta mais ninguém.

É bom desconfiar de quem "ambiciona tirar o poder do Congresso e colocá-lo nas mãos do povo, principalmente por meio de plebiscitos". Geralmente quem diz isso quer é esvaziar o legislativo e concentrar poder no Executivo. Mas não espanta vindo de quem apóia uma canditata a presidência que disse poder governar sem o Congresso.

“Vamos fazer igual Evo Morales”
Ainda bem que isso não é possível.

Ele quer "gradualmente, acabar com o ensino privado". Será isso realmente democrático? Caso as pessoas tenham condições, devem ter a possibilidade de escolher a opção que julgar melhor.

Anônimo disse...

Bom, tenho algumas afinidades e muitas críticas em relação às propostas do Rodrigo Dantas. Mas o que me chamou mais atenção foram os contra-argumentos do André. Por isso, queria deixar minha opinião tb..respeitando a dele.

Para mim:
a dívida externa não assusta? Então é estamos anestesiados. Ela ainda existe, viu, mas os índices não estão naqueles divulgados oficialmente pelo FMI.

Será que foi o Evo Morales que tomou alguma coisa de alguém primeiro? Bom, a Bolívia tem trocentos problemas. A Petrobrás do jeito que tava lá não estava ajudando muita coisa...na verdade...agora, a gente não pode é ficar com discursos nacionalistas contra a ação "nacionalista" dele.

Sobre a noção de político, ser ativo ou liderar ações não é sinônimo da conotação de político como esses típicos que conhecemos e detestamos. Pelo menos, foi nesse sentido que entendi a fala do Rodrigo.

E, para escolher onde estudar, é uma questão de condição? Isso é democrático? Quem paga pode, é isso?Ou pior, quem não pode ter base educacional boa, paga para entrar e sofre para se manter.

O discurso de por o poder na mão do povo é complicado quando fica no discurso. Agora, o Congresso foi criado para facilitar o acesso do povo a partir de representantes e tal E isso acontece? Uma coisa é o poder na mão do povo, outra é ser ditador...Acho que a gente tem que ter cuidado com os terrorismo. Afinal, não creio que o Dantas vai comer criancinhas e fechar igrejas.

E, sobre o jornalismo, pra mim há varias opções de jornalismo. E há restrições tremendas, sendo professor. Agora, temos que mostrar outras saídas quando dizemos menos, né...É uma responsabilidade conjunta de quem se forma e contesta a fala dele. Eu espero poder contestar isso... Tomara...

Pq tem muito escravo, sim. E a maioria não quer, mas precisa de enquadrar para se sustentar. Nem todo mundo é super-homem e pode ser Clark nas horas vagas. Tem que por comida em casa e o mercado não é nada bonzinho.

Abraços, Leyberson.

Marcelo disse...

Eu estava planejando fazer um discurso parecido com o do Leyberson, mas ele o fez com muito mais sabedoria. Faço das palavras dele as minhas.