Notas Expressas

Tivemos um enxugamento do nosso corpo de repórteres, mas estamos, aos poucos, retomando o ritmo de publicação de matérias.
(atualizado em 20 de outubro de 2007)


quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Coluna - Futebol

Política (também) é uma caixinha de surpresas
por Vitor Matos

Numa dessas pesquisas por aí, recentemente publicada, constou que grande parte do eleitorado não agüenta mais as metáforas futebolísticas de Lula. Faz muito sentido.O presidente deveria trocar de esporte. Futebol, além de chinfrim, é coisa do povão. Seria de muito melhor tom se o velho Lula começasse a empregar, nos seus discursos, jogos de palavras envolvendo modalidades mais elegantes. Pólo, por exemplo. “Companheiros, a economia vai a galope, como um Puro-Sangue artilheiro.” Viu só, como fica mais chique? Lula precisa dar mais atenção ao recado dos eleitores: o país pode ser mendigo, mas o presidente tem que ser aristocrata.

Contudo, se quiser insistir na linha das metáforas futebolísticas, Lula precisará renovar seu repertório, afinal, a partir de terça da semana que vem começa a propaganda eleitoral obrigatória na TV e no rádio. Por isso, vai aqui uma dica desse singular colunista para o presidente agregar novos termos ao seu manual “O futebol e a vida”: não perca a final da Libertadores, entre São Paulo e Inter. Será um jogo recheado de nuances técnicos, táticos e emocionais, com pinceladas generosas de dramaticidade. Inclusive, salvo engano meu, ainda teremos lua cheia no Morumbi. Um prato cheio para poetas.

Além disso, São Paulo e Inter, ao protagonizarem uma segunda final exclusivamente brasileira mostram que, pelo menos no futebol, nosso país é líder na América Latina. Para alguém que relaciona o esporte bretão e crise política com a naturalidade de quem compara o azul do céu com o do mar, extrapolar o exemplo dos times brasileiros e levá-lo para setores mais imbricados da vida sul-americana é brincadeira de criança. Presidente, ― será que ele é meu leitor também? ― hoje, depois de Páginas da Vida, prepare as páginas do seu caderninho.

E para não dizerem que sou parcial, tendencioso e mal-intencionado, preparei um conselho também pro candidato Geraldo Alckmin. Caso ele queira adotar o futebolês do rival petista, ― vale tudo na caça desenfreada aos votos ― vai ter que assistir, pelo menos, a uma partida por semana, daqui até outubro. Mas não vale jogo de time brasileiro. Alckmin, em consonância com o seu eleitorado e suas idéias, só poderá acompanhar o futebol europeu, que é muito mais elitizado e glamouroso. Hoje a tarde, por exemplo, tem Milan, do Kaká, contra o Estrela Vermelha de Belgrado. Taí uma bela oportunidade do candidato tucano começar a experimentar seu talento para a criação de metáforas futebolísticas intelectualizadas.

Em tempo, o dito jogo valerá pelas qualificatórias da UEFA Champions League, competição que o clube italiano tinha sido proibido de disputar graças a falcatruas de sua direção na temporada passada. Mas, também na Europa, alguns processos terminam em pizza. Começo a desconfiar que é melhor manter qualquer candidato à presidência longe desse jogo.

P.S.1: Cristovam Buarque, Luciano Bivar, José Maria Eymael e Heloísa Helena.

P.S 2: Devidamente citados, como manda a Lei.

4 comentários:

anônima disse...

Perdi o jogo do Milan, mas ví o do Liverpool. Você sabe onde será o segundo jogo?? Creio que não será em Israel...
you'll never walk alone.

Anônimo disse...

A lei não manda citar todos os candidatos... O que manda é que todos participem dos debates promovidos pelos veículos de comunicação. A Globo fez um acordo com eles: eles não participariam dos debates, em contrapartida, seriam citados todos os dias em seus telejornais.

Anônimo disse...

Animais.
Não conhecem nem as regras gramaticais.
O correto é PPS e não PS2, a menos que você esteja se referindo ao Playstation 2.

Guilherme disse...

O texto, como sempre, está um primor.

Rezo pelos "cults" ou metidos a "cults" (o pior tipo). Futebol (os esportes em geral) é arte, é cultura nacional. Não precisa gostar, apenas deve-se fazer um esforço para entender que futebol não são simplesmente 22 homens correndo atrás de uma bola.

Excelente a crítica do colunista (espero que eu a tenha entendido!): deixa o Lula falar do futebol. Queriam o quê? Pôquer? Se for pra meter o pau nele, falem do mensalão, das sanguessugas, dos programas sociais que deram errado.