Notas Expressas

Tivemos um enxugamento do nosso corpo de repórteres, mas estamos, aos poucos, retomando o ritmo de publicação de matérias.
(atualizado em 20 de outubro de 2007)


domingo, 8 de abril de 2007

Editorial 1

7 de abril: dia do jornalista, o intermediador da informação

Em pauta: o dia do jornalista - ontem, 7 de abril. Qual é o papel dos poetas do cotidiano? Os jornalistas foram chamados assim por Marcello Pepe. Ironicamente, o termo “poetas” traz um tom de leveza ao peso que representa essa profissão, ferramenta da grande imprensa, indubitavelmente uma fonte de influências.

Enfureçam-se os que alimentam tal rivalidade, o jornalismo é uma publicidade, é o exercício de publicizar os fatos, um serviço tão duro que é terceirizado. O jornalista é essencialmente um fofoqueiro, é o “dedo-duro” da sociedade. Ele é um propagador do que aconteceu, acontece ou está programado para acontecer. É dele a decisão do que é notícia ou não. Também dele é a sina de tentar, mesmo que frustradamente, anular a subjetividade de um trabalho de ser humano.

Que sejam postos em discussão, neste oportuno momento, os pregados valores do jornalismo: seriedade, imparcialidade, denúncia, ditadura do lead, corrida pelo “furo”. Vive-se uma paranóia de publicar-se a novidade o mais rápido possível, atrevendo-se ao tempo real. Tem as notícias uma vida tão breve assim? Ou é só a ansiedade que o fluxo da vida moderna traz às redações? Um formato antigo de narração permanece até hoje nas redações. Não seriam necessárias revisões? Consolidou-se o vínculo jornalismo-denúncia; o que era para ser um dos fins torna-se agora um meio. E, no dilema da fuga da subjetividade, a pergunta surge: o jornalismo deve ficar em cima do muro? Por quê?

Ofertam-se aqui perguntas, porque perguntas estimulam o pensamento, respostas prontas escravizam-no. O objetivo aqui não é dar respostas, é causar a reflexão. Vivamos a liberdade de expressão.

3 comentários:

Anônimo disse...

Sobrou poesia e faltou objetividade...

Edson Jr. disse...

Pelo jeito você não captou o espírito do editorial especial dia do jornalista.

Como sugestão, comece tentando responder da forma mais convicente a seguinte pergunta: "tem de ser objetivo é? Por quê?"

Quem é obssecado pela objetividade (o que é uma máscara) é quem é impotente o bastante para mostrar sua subjetividade. Não quero, ofender, mas você se mostra mais impotente ainda guardando-se no anonimato.

(...)

Se me permite expressar em paralelismo...

Sobrou criticismo, faltou autonomia.

Anônimo disse...

O anonimato é uma ferramenta para evitar represálias. Nem todo mundo tem paciência, tranquilidade ou um mínimo de respeito pela opinião do outro na hora de discordar. A voz do povo é a voz de Deus.

De qualquer forma, caro Edson, a objetividade não é tentar ocultar sua opinião de um texto. Isso, como bem disseram, é impossível. Objetividade é ter um objetivo. É saber o que pretende. Você pretende apresentar um fato, apresente! Ou seu objetivo é dar uma opinião sobre algo ocorrido? A questão não é se esconder, se mascarar (como você disse) sob uma pseudo-isenção. É saber o que se pretende fazer, e fazer.

Artigos são artigos, são o espaço para mostrar o que suas ideologias te ensinaram sobre algo. Jornalismo é ouvir o máximo de lados possíveis de uma história, tentar chegar ao mais próximo do ocorrido a partir do que for relatado . Sem função social ou de oposição ao governo, só relato. Só mostrar a quem não estava no lugar o que aconteceu pela ótica de quem estava. E nessa hora surge a importância da objetividade.

Seja como máscara ou não.