Notas Expressas

Tivemos um enxugamento do nosso corpo de repórteres, mas estamos, aos poucos, retomando o ritmo de publicação de matérias.
(atualizado em 20 de outubro de 2007)


quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Futebol!

Por trás dos Caracóis
por Vitor Matos

O símbolo maior da dominação européia em nossas vidas é o escargot. Dentro daquela pequena concha ele abarca toda uma história de subjugação e desmandos, imposição cultural, alienação das almas. O escargot é o retrato dos absurdos que nascem da relação metrópole-colônia. Como explicar a uma inocente criancinha que aquele reles caracol viscoso é um alimento muito mais valorizado do que uma leitoa à pururuca ou uma pamonha de sal? Como, Deus meu? É um mundo pervertido esse em que vivemos.

Carles Puyol, um jovem catalão, bem-apessoado. Ele é zagueiro e capitão do Barcelona, além de titular da seleção espanhola. Sua fama atravessou o Atlântico. No Brasil, imprensa e torcida enchem a boca para referirem-se a Puyol como um dos melhores defensores da atualidade. Ele é um sucesso de público e crítica por aqui. Se o leitor quiser se dar ao trabalho, vá às ruas e faça a pesquisa por si mesmo. Não há uma mesa de bar, um salão de barbeiro, uma padaria, em que o dito jogador não seja uma unanimidade.


Esse tão aclamado Puyol é o mesmo que tomou dribles desconcertantes do Iarley no domingo. O mesmo que ficava a ver navios toda vez que um atacante do Inter partia pra cima. A máscara, enfim, caiu. O Puyol não joga nada. Ele é pior que o Júnior Baiano no auge da carreira.Até quando vamos continuar superestimando esses jogadores europeus? Puyol, Gerard, Giuly, Shevchenko, Xavi, Rooney, Cannavaro, Ballack, Beckham. Todos escargots.


Por isso a vitória do Inter frente ao Barcelona foi tão importante. Mostrou que o abismo que separa os clubes europeus dos brasileiros não é assim tão grande. No máximo um regatozinho. Semana passada, tinha muita gente profetizando uma saraivada, um massacre de Ronaldinho & cia. em cima dos colorados. Falta uma pitada de senso crítico. Observando friamente, estava claro que o Inter poderia fazer frente ao rival. O problema é que, em muitos casos, se analisou a situação com olhos de colonizados. Aí sim, nada mais óbvio do que apontar uma vitória retumbante do Barça.

Lógico que o Barcelona é melhor time do que o Inter, isso não se nega. O convite é para que a gente se posicione de maneira mais crítica diante dos jogadores e times europeus. Se começarmos a relativizar, comparar, olhar meticulosamente, perceberemos que, afinal, o Fernandão não está tão longe de um Giuly, por exemplo. Ou veremos, ainda, que Fabiano Eller e Puyol se equivalem. E se o Barcelona, o Milan ou Manchester viessem disputar o Brasileirão, é certo que não teriam vida fácil. Uma vez que o Cannavaro é o melhor do ano, a diferença entre o ápice e a ralé não pode ser muito grande.

Nisso tudo, um fato me indigna profundamente. O brasileiro aceita docilmente a imposição ― muitas vezes absurda ― vinda de fora: O escargot, o Puyol, o terno e a gravata. No entanto, quando finalmente um elemento estrangeiro viria a conferir um salto de qualidade em nossas vidas, aí a gente simplesmente o repele! Estou falando desse hábito mambembe de tomar banho. Seria tão lindo se seguíssemos o exemplo europeu e visitássemos o chuveiro apenas em ocasiões especiais. Mas não. De tantas tradições da cultura indígena que mereciam ser salvaguardadas, fomos preservar justo essa! Não dá pra entender!


P.S.1: Desejo um feliz Natal a todos os meus leitores.


P.S.2: O fato de achar que tenho leitores não implica que eu acredite em Papai Noel.

3 comentários:

Edson Jr. disse...

mambembe é?

por um acaso você aprecia a transpiração?
;]

abraço.

parabéns por cutucar mais um pouco a auto-desvalorização nossa (brasileiros).

Edson Jr.

André Souza disse...

Você não era um dos que achavam que o Barcelona ia dar show?

Flavia disse...

Isso é conversa típica de quem só viu meia duzia de jogos do Puyol ( ou somente esse do Mundial) e já acha que pode dar uma definição sobre ele. Não fala do que vc não sabe, Puyol tem toda uma historia no time catalão e eu sei pq eu o acompanho desde que ele estreou no time principal, e daí se ele não é brasileiro? vc... parece só ter visto esse jogo do Mundial e se acha no direito de falar merda. E eu nem sou fã de jogador estrangeiro, Puyol é uma exceção na minha lista.