Notas Expressas

Tivemos um enxugamento do nosso corpo de repórteres, mas estamos, aos poucos, retomando o ritmo de publicação de matérias.
(atualizado em 20 de outubro de 2007)


sábado, 4 de novembro de 2006

Dia do Leitor

Elementos de Lembrança
por Miguel Eduardo do Reis

Há pessoas que não se lembram do último filme que assistiram. Eu lembro do primeiro! Pois é, e além disso, ainda o possuo em minha coleção de filmes. Chama-se “O último guerreiro das estrelas”, de 1984. Eu tinha então 10 anos quando meu tio me levou ao Cine Paranoá, no centro de Taguatinga, hoje já desativado. Uma curiosidade: este foi o primeiro filme a ter efeitos especiais e até mesmo cenas inteiras produzidas por computação gráfica.

Bom, e daí? Daí que ainda tem muita coisa repleta de significados neste armário que estou abrindo. Por que será que guardo tanta coisa? Deve ser pelo mesmo motivo que me recordo de algo como o primeiro filme que assisti. Gosto de lembrar, de me conectar à minha própria vida, reviver mentalmente alguns momentos que foram felizes.

Além deste filme, vejo um troféu. Ele é de uma simplicidade própria do despojamento da competição a que fez jus: uma corrida de aventura. Lembro bem que já havia participado de outras mais difíceis, mas esta foi especial. Estava saindo de uma lesão que me custou mais de um ano afastado de atividades físicas. Participei de uma categoria com percurso menor e, para minha surpresa, venci a prova juntamente com minha dupla. Estava de volta.

Algumas pilhas de fitas cassete amarradas com barbantes... isso vem da época em que cursei o segundo grau, hoje ensino médio. Final dos anos 80, início dos 90. Nas lombadas vejo nomes como Pink Floyd, Ramones, The Clash, Led Zeppelin... mas também Beto Guedes, 14 Bis, Oswaldo Montenegro, Chico Buarque... Noto que meu gosto musical não mudou muito em mais de 15 anos... espero que isso seja um bom sinal.

Muitos livros, apesar de eu já ter doado muitos mais. Os últimos que li foram “Endurance” e “O último lugar da terra”. Tratam dos anos heróicos da exploração polar, quando homens se lançavam em busca do desconhecido sem garantia nenhuma do retorno a salvo. O motor a combustão ainda não estava desenvolvido o suficiente para ser utilizado no lugar da tração animal e até mesmo humana. Também não havia rádio.

Pensar em como cheguei a estes livros é que é o “x” da questão. Me foram recomendados por um amigo que fazia comigo uma viagem de bicicleta entre São João da Aliança e Alto Paraíso, cidades de Goiás, localizadas na região da Chapada dos Veadeiros. Dois dias, 150Km de pedaladas em subidas e descidas por dentro do Vale do Paranã. Imagens e sensações que não deixam minha mente. Ele me falou desses livros enquanto nos era servida uma deliciosa comida caseira, pela Dona Dora, uma habitante de uma cidadezinha chamada Forte.

Tenho sede disso... de lembrar o que já vivi. Parece que quando somo isso com o que está acontecendo no momento atual, dobram as sensações, temperam o novo. Não vou me desconectar disso, não vou esvaziar esse armário para me mudar para o meu próprio apartamento... tenho que admitir, vou precisar de algo maior, bem maior.

Miguel é estudante do segundo semestre de Comunicação da UnB

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2 comentários:

Anônimo disse...

O Miguel é estudante?

CACOM disse...

É sim, do segundo semestre de comunicação.