Notas Expressas

Tivemos um enxugamento do nosso corpo de repórteres, mas estamos, aos poucos, retomando o ritmo de publicação de matérias.
(atualizado em 20 de outubro de 2007)


terça-feira, 12 de setembro de 2006

O voto em questão

“Minha missão é cuidar do pobre”
Com discurso pautado no lado social, Joaquim Roriz continua a ser alvo de denúncias
por Felipe Néri
foto: www.dimensaosafeline.com.br



Joaquim Roriz já afirmou não se importar em ser chamado de populista

Fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) no estado de Goiás, o candidato a senador Joaquim Domingos Roriz se mantém na política desde a década de 60. Atualmente membro do PMDB, o goiano de Luziânia já foi vereador de sua cidade, deputado estadual e federal de Goiás, prefeito de Goiânia e vice-governador de seu estado até ser nomeado, em 1988, para o GDF, pelo então presidente José Sarney. Em 1990, renunciou ao cargo de governador biônico para poder lutar pelo Buriti por vias eleitorais. Após três vitórias nas eleições para o Governo do Distrito Federal, Roriz soma, hoje, um recorde de 14 anos de atuação como governador.

Para concorrer a uma vaga ao Senado nas eleições de 2006, Joaquim Roriz renunciou, mais uma vez, ao seu cargo de governador. Após diversas especulações sobre qual candidato ao GDF teria o seu apoio, Roriz ficou ao lado de Maria de Lourdes Abadia, sua antiga vice-governadora, que tomou posse devido a sua renúncia. Abadia, que nas eleições de 1994 foi xingada por Roriz durante a campanha eleitoral, está ao lado dele na aliança Juntos por Brasília. Esta coligação tem sido alvo de denúncias por violação da verticalização, já que presidenciáveis de distintos partidos são representados por ela.

Conhecido por seu carisma e discurso emocionado, Roriz teve atuações no governo marcadas por medidas assistencialistas e grandes obras viárias. Entre políticas de remoção de favelas e a construção de um metrô - ainda não concluída - prometida na candidatura de 1990 para ser finalizada até 1994, o candidato é favorito para representar o DF entre os parlamentares. O candidato faz questão de enfatizar que sua prioridade é o lado social: “Minha missão é cuidar do pobre”, afirmou recentemente à revista ISTOÉ.

Apesar de ter conquistado grande parte da população do Distrito Federal com grandiosos projetos urbanísticos e políticas de assistência social, o candidato que mais possui gastos de campanha, de acordo com relatórios divulgados pelo TSE, é alvo de várias denúncias. Acusado de desvio de verbas do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), compra de merenda superfaturada, mudança de destinação orçamentária com a retirada de verbas da saúde para a conclusão da Ponte JK e grilagem de terras, Roriz também é alvo de denúncias no STJ, que envolvem racismo, improbidade administrativa, falsidade ideológica e crimes contra a fé. No entanto, nenhuma das irregularidades denunciadas pela imprensa e pelo Ministério Público resultou em condenação.

Atualmente, uma fita com a conversa de Joaquim Roriz com o candidato a deputado Federal Eri Varela, também do PMDB, tem causado grande polêmica. Na conversa, Roriz qualifica o candidato a governador José Roberto Arruda como “falso, vagabundo e mentiroso”. Após o fato ser divulgado pela imprensa, Roriz teve concedido o pedido de liminar que proibia a divulgação da conversa por rádio, televisão ou jornal.

As propostas do ex-governador permanecem com base em seu fim social, mas são pouco debatidas entre os eleitores e o próprio candidato. A imprensa brasiliense continua limitada pela influência que Joaquim Roriz exerce na mídia local. Mesmo com a falta de espaços para exposição de suas idéias, o favoritismo de Roriz está garantido.

A assessoria de Roriz foi procurada e não quis se pronunciar.

3 comentários:

André Souza disse...

"Após o fato ser divulgado pela imprensa, Roriz teve concedido o pedido de liminar que proibia a divulgação da conversa por rádio, televisão ou jornal."

Na verdade não foram todas as rádios, televisões e jornais, como sugere o texto, que foram proibidos de divulgar a fita. O candidato elaborou uma lista contendo vários veículos de comunicação que não poderiam mostrar o conteúdo da gravação, mas outros ficaram de fora.

"A imprensa brasiliense continua limitada pela influência que Joaquim Roriz exerce na mídia local. Mesmo com a falta de espaços para exposição de suas idéias, o favoritismo de Roriz está garantido."

Há uma contradição aí.

Carlinha Caldas disse...

Quando eu vi a frase "Há uma contradição aí." eu já sabia que era o andré.

Não desmerecendo a matéria, acho que está faltando vcs correrem atrás das assessorias. Não respondem? Tentem de novo, encham o saco, procurem números novos de telefone, cerquem por todos os lados. Não desistam quando baterem o telefone nas suas caras pela primeira vez.

Vcs vão cobrir o debate de amanhã na UnB? Tô aguardando!!

aerton guimarães disse...

Carlinha, posso assegurar que nenhum repórter do Blog desistiu de procurar a assessoria depois de um, dois ou cinco telefonemas.

Os políticos já são de difícil acesso, ainda mais em período eleitoral.

E sim, a Bárbara Rosa vai cobrir o debate.