Notas Expressas

Tivemos um enxugamento do nosso corpo de repórteres, mas estamos, aos poucos, retomando o ritmo de publicação de matérias.
(atualizado em 20 de outubro de 2007)


domingo, 3 de setembro de 2006

Artigo

Berimbau Chorou
por Bárbara Rosa

Há quem diga que a capoeira era um luta de libertação; quando o negro, afoito, fugia para se libertar do feitor. Há uma semana, ela passou a ser vista como uma arma que brutalmente pode tirar a vida de um ser humano. A maldade, quem traz, não é a capoeira. É o homem.

Infelizmente o produtor de eventos Ivan Rodrigo da Costa, mais conhecido como Neneco, foi morto por uma surra dada por “capoeiristas”. Capoeiristas não, por seres sem escrúpulos e sem coração que se utilizaram de uma arte marcial para cometer tal atrocidade. Por causa de cinco criminosos, toda a comunidade da Capoeira foi prejudicada.

A capoeira é uma luta, com certeza, mas acima disso, ela é uma dança e uma arte; uma forma de expressão. No Distrito Federal, milhares de professores dão aula em escolas, clubes, quadras e fazem um trabalho de integração excelente. São profissionais qualificados, capazes e que a amam acima de tudo. De um fato como o ocorrido, não se pode generalizar todos os praticantes desse esporte. Tanto faz se aqueles rapazes lutassem Judô, Jiu-Jitsu ou Capoeira, o que fez eles tomarem aquela atitude já estava dentro do coração de cada um. Eles usaram da capoeira para fazer o mal, mas a maldade já estava com eles.

A fama de que o capoeirista é malandro e que não leva nada a sério ficou para trás. Advogados, médicos, jornalistas, todos praticam capoeira. Os pais não devem proibir seus filhos de serem praticantes, essa é uma arte que tem uma história, uma tradição e que contagia quem faz. Foram anos tentando tirar a imagem de violência tão associada ao esporte; para quê? Agora a imagem é que a capoeira só é usada para matar, capoeirista virou sinônimo de criminoso. Os capoeiristas do DF estão com a imagem manchada e a mídia, a tão incerta mídia, não se deu ao trabalho de mostrar o que é a capoeira, ou melhor, quem é o capoeirista de verdade.

Para dar um soco em alguém, não é necessário treinar capoeira, qualquer um faz isso. Meu mestre nunca me ensinou a fechar a mão para jogar na roda, quem fecha a mão para dar um soco não é capoeirista. Capoeirista é aquele que joga com o corpo e com a alma, que não usa sua força contra o pequeno e que luta por justiça e igualdade.

Os artigos não refletem necessariamente a opinião deste Blog, sendo eles de responsabilidade de seus autores.

4 comentários:

Marcelo disse...

Concordo com a articulista. Existem milhares de forma de se referir a alguém que comete um crime como esse, mas referir-se através da arte (ou seria dança?) marcial que os responsáveis pelo espancamento praticavam é pedir que um estereótipo seja criado, ou recriado. Como muitas outras artes marciais, a capoeira surgiu como uma forma de expressão e de defesa. Sua má utilização, no entanto, nada tem a ver com os ideais ensinados. É como referir-se a alguém que espanca outro com um taco de golfe como um golfista assassino. O meio, a forma utilizada para o crime foi o espancamento. Que diferença faz a arte marcial do dito cujo?

Anônimo disse...

Então eu desafio voces a provarem que a porcentagem das pessoas que se envolvem em brigas não é maior entre os praticantes de artes marciais

Marcelo disse...

A porcentagem de pessoas com carro próprio que se envolve em acidentes no trânsito é maior do que a porcentagem de pessoas sem carro próprio que se envolvem em acidentes. O fato de vc ter a ferramenta não implica que vc a utilize de forma incorreta, mas pode acontecer. Resumir a capoeira a somente mais uma forma de espancamento e generalizar os delinquentes não tem nada a ver com o fato de que o espancamento ocorreria dessa forma ou de outra. Com 5 pessoas contra uma sozinha, não é preciso arte marcial alguma para espancar alguém.
Atribuir à capoeira a responsabilidade pela ignorância e truculência de alguns praticantes não resolve o problema.

Anônimo disse...

Como o Marcelo falou em cima..não se pode generalizar os praticantes de arte macial, quem quer brigar vai brigar de qualquer jeito;seja com um pedra, uma arma ou soco...Porcentagem para que? O melhor agora é conscientizar as pessoas e até mesmo os esportistas de que a violência nao leva a nada.É a Barbara q escreveu o artigo