Notas Expressas

Tivemos um enxugamento do nosso corpo de repórteres, mas estamos, aos poucos, retomando o ritmo de publicação de matérias.
(atualizado em 20 de outubro de 2007)


sábado, 26 de agosto de 2006

Dia do leitor

Antônio
por Artur Brandt

Sabe, caro leitor e/ou leitora do pseudo-quase-escritor mais fracassado dessa brasila, eu tava aqui pensando com os meus botões: sim, sim, sim, mas é lógico que não. Ficar contando historinha dessa minha vidinha irrelevante e sem graça não é bem o caminho. Não vale a pena. As pessoas querem histórias emocionantes, de animais que entendem o sentido da vida, de cânceres vencidos no último minuto por pessoas que realmente mereciam, de curas milagrosas para males abstratos, de crianças que salvam planetas inteiros apenas com a bondade em seus puros corações, essas coisas mundanas. Vendo por esse lado, também não faria o menor sentido contar histórias sobre a vida das outras pessoas, igualmente irrelevantes, mas ainda assim com um pouco mais de graça.

Então eu resolvi contar a história de uma pessoa que nunca existiu: Antônio Rocha Tenório Ubaldo Ribeiro. Uma pessoa como eu, até experimentar o inesperado. Levou um tiro no peito esquerdo que lhe abriu inteiro. Seria inocência de sua parte dizer que fora a dor que mais sentira em vida, mas seria de tal igualdade a sinceridade se dissesse que jamais sentira dor maior. E morreu desse jeitinho mesmo. Incapaz de mesurar. Rezando para esquecer. Lutando para se acalmar. Provando do escurecer. Arrependendo-se de esperar. Um homem de verdade, cuja vida fora esquecida. Uma passagem pra bem longe, só de ida. Um pastiche de uma vida mal vivida, atormentando-o por pensar em não vingar. Esse foi Antônio Rocha Tenório Ubaldo Ribeiro. E eu acho que, graças a Deus, ele nunca existiu. Porque se existisse, seria um baita dum zé coitado. Que ele descanse em paz, no lugarzinho de onde veio.

Artur é estudante do 5º semestre de Audiovisual na UnB.

2 comentários:

Artur Brandt disse...

Nossa, e não é que vcs tiveram coragem msm de publicar isso? q coisa...

Anônimo disse...

Seria este desconhecido algum parente do Joao Ubaldo Ribeiro? Ou seria um desejo inconsciente (ou consciente) do Artur de matar um parente do escritor que se passa por cientista politico?