Notas Expressas

Tivemos um enxugamento do nosso corpo de repórteres, mas estamos, aos poucos, retomando o ritmo de publicação de matérias.
(atualizado em 20 de outubro de 2007)


quinta-feira, 27 de julho de 2006

Religião no Campus

A incerteza da construção de um templo ecumênico que parece difícil de sair do papel

Quando se pergunta pelo campus sobre a construção de uma capela na Universidade de Brasília a impressão que se tem é que todo mundo já ouviu falar alguma coisa, mas ninguém sabe dar uma informação precisa.Talvez o estudante sem religião sentado no Ceubinho jogando truco e batendo papo com os amigos nem atente para a falta, mas o fato é que alguns alunos, professores e funcionários religiosos já sentiram, sim, a ausência, e chegaram muito perto de ver a capela construída.

A comunidade católica foi a que mais se mobilizou pela causa. Leovam Luiz Guimarães, funcionário do Centro de Informática (CPD) e membro ativo da comunidade católica da Universidade, diz que sempre houve uma discussão sobre a necessidade de uma capela, e que o Conselho Ecumênico de Brasília buscou em outras religiões adeptos que endossassem uma proposta. Finalmente, em 2000, reuniões foram feitas com o prefeito da UnB, Joaquim Arnoldo, e a reitoria aprovou um projeto, que chegou perto de ser concretizado. Foi em 2001, quando o reitor Lauro Morhy foi eleito para sua segunda gestão, que o templo ecumênico chegou a ter sua pedra fundamental inaugurada, perto do ICC sul, e tudo indicava que agora as coisas andariam.

Mas o projeto foi abandonado, por questões financeiras, e o templo ficou só numa pedra. Leovam se lembra que na época houve uma proposta do Centro Ecumênico de discutir o orçamento com a prefeitura para tentar angariar fundos e financiar a obra. Houve mesmo quem sugerisse um projeto mais simples, que não tivesse toda a elegância arquitetônica do resto do campus, mas que saísse mais barata, mas nenhuma ação foi tomada e a construção foi engavetada. No CEPLAN (Centro de Planejamento Oscar Niemeyer) existe uma maquete do templo, sem nome do arquiteto e sem ninguém presente que soubesse dar informações. Ao lado da maquete de desenho arrojado, uma planta, desenhada por Oscar Niemeyer, onde se verifica que, ao contrário do que pensam alguns defensores do templo, aparentemente não havia nenhum lugar reservado à adoração no plano inicial de seu idealizador.

Talvez o arquiteto pensasse que a Universidade é o campo da razão, e que pouco espaço (nenhum, no caso) haveria para refúgios religiosos. Há certa lógica. É compreensível, num país massivamente religioso, a aparente pusilanimidade dos que freqüentam a UnB diariamente e não demandam por um templo. Além disso, o mencionado predomínio da razão, ao menos dentro do campus, que, seja por modismo intelectual ou não, influencia a pessoa instruída a questionar a religião. Mas, ainda assim, existem os grupos religiosos, formados por alunos, funcionários e professores de todas as áreas; gente que pode trabalhar na Universidade por mais de quatro anos e que vê a construção da capela como assunto sério. Se estes grupos demonstrarem ser uma demanda significativa, talvez vejamos um novo canteiro de obras surgir. Mas parece que por um bom tempo eles têm como lugar de adoração apenas uma maquete sem nome e uma pedra esquecida em algum lugar entre o ICC e a Reitoria.

4 comentários:

janine disse...

Sem noção um templo na universidade...

Gabriel disse...

Nao acho que a UnB deva ter um templo, mas o tom do texto parece o de um calouro deslumbrado por, ao entrar na Universidade, ter ingressado na Era da Razao.

Luiza disse...

Como disse a Janine, sem lógica ter um templo na UnB...

Felipe disse...

Um templo na Universidade não é algo sem lógica, já que esta é um espaço de integração e universalidade de saberes. Pensemos melhor, pessoal...