Notas Expressas

Tivemos um enxugamento do nosso corpo de repórteres, mas estamos, aos poucos, retomando o ritmo de publicação de matérias.
(atualizado em 20 de outubro de 2007)


quinta-feira, 20 de julho de 2006

"O trabalho dignifica o homem", mas que é dureza, isso é!

Trabalho informal diversificado é uma realidade na UnB
por Cristiano Zaia
fotos: Emília Silberstein

Todos os dias, milhões de trabalhadores têm de enfrentar uma dura realidade batendo a suas portas. Segundo pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o trabalho informal no Brasil é de 58,1%. Esse levantamento, realizado em 2000, estima a grave desigualdade social pela qual responde o país há séculos. Mais uma conseqüência da sofrida economia brasileira que vem arrastando mais pessoas para a informalidade. Na UnB não é diferente. Com um fluxo médio de 35 mil pessoas por dia, ela constitui verdadeiro público alvo de comerciantes. Mesmo entre estes trabalhadores, há divisões e contrastes sociais.

Muitos ambulantes fazem comércio à frente do Restaurante Universitário (RU), como os hippies Roberto Carlos e José Faria. “A maior ignorância é a de confundirem o artesão com o camelô”, afirma Roberto. Para eles, não é desvantagem ser informal, uma vez que não trabalham só por dinheiro. Vivem de favores de amigos e em busca da valorização de suas artes. Para José, “uma das principais vantagens é a liberdade”. O que não deixa de constituir exceção, já que a maioria dos informais depende diariamente de renda. “Todos os dias tenho que vender mais de 50 reais”, declara o sorveteiro Ilmar Marciano, que aponta o tempo frio e a falta de benefícios como desvantagens de seu trabalho.


Contudo, a maior reclamação deles refere-se à presença de fiscais e, principalmente, aos legalizados, também informais, que pagam, por cada metro quadrado, seu espaço de trabalho e, às vezes, chamam a Segurança para os ambulantes. O aluguel desses espaços temporários fica a cargo da Diretoria de Administração e Logística (DAL) e da Coordenadoria de Concessão e Postura (CCP) da prefeitura do Campus. A autorização para o espaço dá-se mediante licitação feita pela prefeitura.

Segundo a diretora da DAL, Elizabeth Ferreira, os únicos informais reconhecidos hoje na UnB são os lavadores de carro. Nesse caso, são os não legalizados. No entanto, ela comenta que ainda está em processo de regulamentação uma proposta de cobrar as taxas de água e luz dos lavadores, embora os 24 existentes sejam cadastrados e portem um crachá de identificação. O lavador Alexandre Ferreira conta que o crachá ajuda a tirar a discriminação das pessoas ao seu trabalho. Ele tem o desejo de um dia estudar e trabalhar fichado. Considera a isenção de impostos e as amizades que faz como as maiores vantagens do trabalho informal.



Existem também os informais satisfeitos com o seu trabalho, que não trocam seus negócios por nada. Esse é o caso de Francisco Amorim, Seu Chico, um dos mais antigos na UnB. “Quanto à aposentadoria é ruim, porque a gente não é beneficiado pelos aumentos”, diz ele, que há 40 anos está lá . Com conhecimento na profissão, diz ter tido maiores oportunidades como cabeleireiro. "Se precisar de nota fiscal de corte de cabelo eu dou”, atesta. Deodato Gomes, 35, que vende balas na entrada do ICC Norte, também só vê vantagens, mas elege a greve como a maior vilã. "Já até fizemos reclamações de ambulantes à reitoria. O nosso medo é de um dia virar a Rodoviária do Plano”, relata ele, que diz ganhar bem.


A verdade é que a informalidade já faz parte da história do trabalhismo brasileiro e a cada dia arrebanha novos adeptos. A grande maioria não teve incentivos para estudar e muitos se sustentam com seus empregos. Outros nem sabem o que é ser informal. Por isso, o trabalho dignifica o homem, porém requer esforço. E que esforço!

Um comentário:

Babi Libânio disse...

Caraca o duendi (1° foto) tá em todas!