Notas Expressas

Tivemos um enxugamento do nosso corpo de repórteres, mas estamos, aos poucos, retomando o ritmo de publicação de matérias.
(atualizado em 20 de outubro de 2007)


segunda-feira, 30 de abril de 2007

Editorial

Universidade Nova em foco

Na teia diversificada de idéias e discussões do meio acadêmico, a Universidade Nova, modelo de ensino idealizado por Anísio Teixeira, já ocupa posição proeminente. De fato, a proposta de flexibilizar a estrutura acadêmica por meio de um novo sistema de titulação, proporcionando interconexões mais fortes entre os campos do saber, parece muito bom à primeira vista. Se isso alterará substancialmente a formação intelectual dos brasileiros de amanhã, é preciso pensar no assunto parcimoniosamente, e não da forma como as universidades vêm fazendo, mantendo o tema isolado em suas fronteiras e planejando implementações dos novos parâmetros em curto prazo.

Tendo em vista que o Ministério da Educação se comprometeu a criar uma portaria que dá suporte financeiro às universidades aderidas de alguma forma ao novo sistema em troca de esforços reais para ampliação do número de vagas e permanência de alunos, fica uma intrigante impressão. Estaria o governo federal interessado somente em melhorar os quadros de inclusão na educação superior? E as universidades, por sua vez, só têm olhos para a nova fonte de recursos?

É certo que a atual arquitetura dos cursos de graduação carece de alterações profundas. Com a Universidade Nova, os alunos serão mais livres para dar vazão ao pensamento. Serão profissionais graduados em troncos do conhecimento, o que significa dizer: generalistas. Na Universidade Federal do ABC (UFABC), por exemplo, só 35% das disciplinas de um centro são obrigatórias, as demais ficam a critério do estudante. Para ter uma profissão específica, os estudantes terão de permanecer mais tempo na universidade. Na lógica de mercado, não ser especializado é não estar apto. Além disso, ser especializado em algo demandará mais tempo no modelo da Universidade Nova. Isso configura incompatibilidade com o sistema de hoje. Por isso, para corrigir distorções e evitar regressões à discussão fundamental dentro em breve, a exploração desse assunto deve ser feita com a sociedade civil e com todas as outras instituições sociais.

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