Notas Expressas

Tivemos um enxugamento do nosso corpo de repórteres, mas estamos, aos poucos, retomando o ritmo de publicação de matérias.
(atualizado em 20 de outubro de 2007)


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Futebol!

Tinha que ser na hora da novela?
por Vítor Matos

Jogos da Seleção sempre foram um bom programa. Salaminho, bebes, amigos. Mesmo aqueles amistosos mais mambembes rendiam alguma diversão. Isso até o Dunga chegar, é claro. Desde que o treinador-aprendiz assumiu o time, no meio do ano passado, tem sido um sufoco acompanhar as partidas. Não à toa, fiquei transtornado ao descobrir que a peleja de ontem, Brasil x Portugal tomaria o horário da novela. Que desagradável!

E mais uma vez a Seleção atuou ao estilo Dunga: burocraticamente. Incrível o que a mediocridade pode fazer com as pessoas. O indivíduo tem a sua disposição os melhores jogadores do mundo, craques para todos os gostos e em todas as posições do campo. Nenhuma seleção possui o potencial do Brasil. Mesmo assim Dunga consegue se complicar. Tudo porque seu medo de perder é tamanho que lhe sobrepuja a razão. Monta um time recuado, tímido, pouco incisivo, tudo em nome da “segurança na defesa”. É o tipo de filosofia tática que pode combinar com seleções do porte de Honduras ou Chipre; aplicá-la no Brasil, contudo, é pensar pequeno.

Imagine-se, o caro leitor, como general num campo de batalha. O seu exército tem ampla vantagem se comparado ao inimigo. Tem mais armas, mais e melhores homens. A disputa está no papo. De repente, ― e sabe-se lá por quê ― você resolve mandar toda a sua cavalaria embora. E ainda dispensa metade da infantaria, não sem antes quebrar as espadas dos que restaram. Pronto, agora finalmente o inimigo está em iguais condições.

Exótico, não? É isso que faz o Dunga. Sua passagem pela Seleção já está ficando famosa porque ele insiste em deixar o Ronaldinho Jackson Gaúcho no banco. Parece que depois de um profundo estudo, o professor Dunga descobriu que o problema do Brasil na Copa foi o jogador, eleito o melhor do mundo em duas das últimas três temporadas. E não pára aí a série de constatações. Dunga considera muito complicado escalar Kaká, Gaúcho e Robinho juntos, deixaria o time exposto demais, coisa de torcedor ufanista. O absurdo da situação é que o destino reserva uma oportunidade única para Dunga entrar pra História formando um dos melhores times de todos os tempos, e o treinador simplesmente joga fora a chance, por pura falta de coragem, porque lhe basta a mediocridade das vitórias por 1 a zero. (E nem comento os figurinos à beira do gramado.)

De fora sopram ventos auspiciosos. Talvez haja esperança. Quem entende de pirataria já constatou que há um motim sendo tramado nos bastidores. O jornal inglês “The Sunday Times” publicou, no domingo último, que Ronaldinho Jackson está insatisfeito com a gestão Dunga, e ameaça inclusive pedir licença da Seleção nos próximos jogos. Boa, Gaúcho! Tais palavras ainda não foram ouvidas da boca do próprio jogador, mas ele também não se esforçou para negá-las até aqui. Sinal de que a insatisfação com o trabalho do técnico-aprendiz é mesmo concreta. Outros jogadores de relevância na Seleção, como o Kaká e o Robinho, poderiam, pelo menos uma vez na carreira, deixar de lado o diplomaticamente-correto e aderir também ao motim. Quando o capitão atrapalha a nau, ou deixa o cargo, ou todos afundam.

*Nós, torcedores, também devemos nos mobilizar. Já ganhou as ruas o movimento “Seis Anões: Fora, Dunga!”

*O Brasil (a antiga colônia) enfrentou Portugal (a antiga metrópole) na Inglaterra (atual metrópole de ambos). Portugal é dirigido pelo brasileiro Felipão e um de seus melhores jogadores é o também brasileiro Deco. Já o Brasil é dirigido por Dunga, um técnico ao estilo alemão. Isso tudo no Emirates Stadium, construído pela maior empresa de aviação do Oriente Médio.

3 comentários:

André Souza disse...

É a tal da globalização

Macambúzius Félix Cattus disse...

Molto belo.

Marcio Rocha disse...

Cara, eu fico impressionado como a galera da comunicação nao entende NADA de futebol. Ja era assim na epoca da Copa e continua depois. Insistem em escalar jogadores que sao craques, mas nao tem a MENOR vontade de jogar na seleçao. Vide Ronaldinho Gaucho, que foi visto dançando numa boate em Barcelona, depois do baile que a seleçao tomou da França. Acho que o Dunga esta corretissimo. Tem que deixar Ronaldinho de fora ate ele aprender que seleçao e coisa seria. Veja o exemplo do Kaka, jogador que eu nao gosto nem um pouco, mas que sempre foi titular com Parreira e que, ao ficar no banco na seleçao, baixou a bola e ta tentando mostrar serviço na seleção. Ta na hora do Gaucho fazer o mesmo...
Abraços