Notas Expressas

Tivemos um enxugamento do nosso corpo de repórteres, mas estamos, aos poucos, retomando o ritmo de publicação de matérias.
(atualizado em 20 de outubro de 2007)


Domingo, 30 de Abril de 2006

Editorial

O Centro Acadêmico de Comunicação (CACOM) está em período eleitoral. A Chapa Um, única inscrita, tentará ser eleita nos próximos dias nove e dez de maio. Este cenário é diferente do da eleição passada, quando três chapas concorreram à direção do CA.

A atual gestão deveria ter “passado a faixa” na última sexta-feira, 28. Porém, o mandato foi prolongado até o dia 12, quando a nova direção deverá assumir. Isso aconteceu devido ao atraso no período de inscrições das chapas para concorrer ao cargo.

Algo semelhante ocorre com o Diretório Central dos Estudantes (DCE). Devido à falta de interessados, não houve ainda processo eleitoral. A gestão já se prolonga por quatro meses a mais do que o ano de mandato.

O Movimento Estudantil se enfraquece como os demais Movimentos Sociais. Assim como as reivindicações de metalúrgicos, professores (vide a última greve das universidades federais), as questões dos alunos estão jogadas ao descaso. Um exemplo é a situação do Restaurante Universitário (RU), o qual está com déficit de funcionários, e os altos preços das passagens de ônibus, pois muitos estudantes moram a vários quilômetros da UnB.

Soma-se a isso o desinteresse. O estudante fica cada vez menos na universidade, ou seja, se importa cada vez menos com a instituição.

Sábado, 29 de Abril de 2006

Nota

Finalmente o curso de Audiovisual foi reconhecido pelo MEC. De acordo com a professora Nélia Del Bianco, "o curso foi aprovado com nota máxima em todos os critérios avaliados".

Uma ótima notícia para os alunos que fazem o curso, para os professores e também para a Faculdade de Comunicação.

Confira as informações completas ao longo da semana.

Doisnovemeia ganha prêmio

A Doisnovemeia, agência de publicidade júnior da Faculdade de Comunicação da UnB, foi premiada com Ouro no XXII Prêmio Colunistas de Brasília. O filme vencedor na categoria Cultura e Educação foi criado para o Centro Educacional Sigma e veiculado entre setembro e dezembro de 2005.

O filme é de autoria da dupla Leonardo Ávila (redator) e Tiago Peixoto (diretor de arte) e foi produzido pelo estúdio de design e animação Buraco de Bala. A Doisnovemeia considera esse prêmio uma vitória para todos os alunos de Comunicação da UnB, principalmente os que passaram pela agência nesses dez anos de vida. Chamamos a atenção para o fato de que a agência júnior concorreu com agências seniores do mercado brasiliense.

Da Doisnovemeia.

Sexta-feira, 28 de Abril de 2006

Cultura

Festas
Para começar, boas dicas para os badaladores. Sexta, dia 28 de abril, temos Nando Reis na Concha acústica, a partir das 20:30h. A abertura será das Bandas Móveis Coloniais de Acaju e Bois de Gerião. A entrada é Franca.

E no sábado, às 22h tem Gilberto Gil no Centro Comunitário da UnB. Os ingressos estão com os preços um pouco salgados, mas para quem curte vale a pena: R$25,00 a meia na pista, R$35,00 a meia na área vip, e R$300,00 a mesa para seis pessoas. Quatro ambientes para todos os gostos.


Para fazer em casa
Aproveitando o aniversário da explosão que ocorreu em Chernobyl, resolvi dar três dicas. Sendo que é bom lembrar que esse acidente nuclear é equivalente a 500 bombas de Hiroshima. Dois livros e um documentário todos com temática relacionados à guerra.

O primeiro que tenho a sugerir é MAUS, de Art Spiegelman. Este livro é todo produzido em quadrinhos desenhados pelo próprio autor. O livro relata a experiência do pai do autor no período do Nazismo. Para os preconceituosos que acham que quadrinho é só diversão, este livro mostra um relato emocionante e temporal da vida do autor e de seu pai.

O segundo que eu aconselho é Hiroshima, de John Hersey. Neste livro o autor entrevista seis pessoas no período em que a Bomba A caiu em Hiroshima e depois conta o que aconteceu com esses seis personagens após 40 anos. É um jornalismo literário, mas não é sensacionalista. O livro mostra como foi literalmente o efeito da bomba na vida daquela população durante o período em que ela caiu e depois de 40 anos. O livro só possui uma fotografia dos seis personagens, sendo que é bom lembrar que esse detalhe só existe na mais nova edição reformulada. Acho que é interessante ver como o governo japonês reagiu diante desta grande tragédia.

E por último, o documentário que recomendo é do Michael Moore, Fahrenheit 9/11. Neste vídeo Michael realiza uma investigação séria sobre tudo que foi relacionado ao ataque do 11 de Setembro. Descobre e mostra, no filme, documentos para julgarmos a conduta do atual presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Aconselho a todos que acham Osama Bin Laden e ou Sadam Hussein os grandes vilões dessa história. Será que o Estados Unidos queriam realmente apenas salvar o Iraque? Acho que o filme responde bem essa indagação.

Bom, essas são as minhas dicas, espero que façam bom proveito delas.

Abraços,

Janaína Valadares

Quinta-feira, 27 de Abril de 2006

CNPq reajusta valor de bolsas

Para iniciação científica, benefício sobe para R$ 350 a partir de junho. Aumento para mestrado e doutorado deve sair no 2° semestre

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, anunciou na tarde de quarta-feira, 26 de abril, que o valor das bolsas de iniciação científica concedidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) aumentará para R$ 350,00 a partir de junho de 2006. Além disso, Rezende garantiu que a entidade elevará a quantidade de beneficiados, chegando aos 22 mil até o final do ano. Esse é o segundo aumento realizado durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (o primeiro foi em julho de 2005) e o acréscimo total chega à casa dos 45%. “Estamos em uma rota de elevar o papel da ciência e tecnologia para impulsionar o desenvolvimento do país em todos os setores”, aponta Rezende.

Da Assessoria de Comunicação da UnB.

Quarta-feira, 26 de Abril de 2006

A Semana dos Calouros começa amanhã

Confira a programação da Semana dos Calouros da FAC

Quinta-feira - 27/04

FACtour: 8h e 15 e 10h e 15 - A partida se dará em frente ao CACOM, com o "guia" Aerton. Conheça os pontos turísticos da Faculdade de Comunicação!

Sexta-feira - 28/04

Café da manhã e apadrinhamento: 8h e 30 - Divirta-se no café da manhã mais animado da UnB. Lá os calouros serão apadrinhados por seus veteranos.

Terça-feira -02/05

Palestra de Audiovisual com Érico Cazarré: 10h. Ex-estudante da FAC, Cazarré fala de produção independente.

OBAVÍDEO: Primeira exibição às 12h e a segunda, às 13h. O OBAVídeo é uma mostra competitiva de filmes feitos pelos estudantes na disciplina Oficina Básica de Audiovisual. Apenas os calouros podem votar para escolher o melhor filme.

Quarta-feira - 03/05

Palestra de Jornalismo com Luiz Carlos Braga: 10h. O editor-chefe do DFTV 2º edição, da TV Globo, fala um pouco do jornalismo televisivo e sua experiência profissional.

Caça ao Tesouro: 12h. Divirta-se procurando um grande tesouro escondido em vários locais da UnB.

Quinta-feira - 04/05

Apresentação 296 - 10h. Conheça um pouco a Agência de Publicidade Júnior da FAC.

Palestra de Publicidade com André Sartorelli. 10h e 30. O diretor de arte da agência de publicidade Mr. Brain fala de sua experiência na publicidade para os futuros profissionais da área.

Peça Teatral: 12h. Um conto sem fadas, produzida por estudantes do 4º semestre para a disciplina Oficina de Interpretação, promete muitas risadas.

Sexta-feira - 05/05

Oficina de Rádio: 8h. A equipe da Ralacoco conta um pouco de sua história e dá uma aula de rádio para quem se interessa pela área.

Promoção: Centro Acadêmico de Comunicação Social (CACOM).

Coluna - Futebol

Saudades do homem, não do mito
por Vítor Matos

Quando o homem sai de cena, nasce o mito. Telê Santana, ex-técnico e ex-jogador de futebol, morreu na última sexta-feira, dia 21, aos 74 anos. A coincidência com Tiradentes extrapola a data de falecimento: tal qual o inconfidente, Telê também era mineiro. Digo mais, se depender da crônica esportiva, ganhará o ex-treinador o mesmo status de mártir atribuído pela história ao herói do século XVIII. Hoje, revigoradas pelo impacto de sua morte, as proezas de Telê são cantadas aos quatro ventos, exaltadas pelos tradicionalistas, admiradas pelos românticos. Convencionou-se ligar seu nome a conceitos pertencentes ao futebol de nossos sonhos, como o futebol-arte, a exemplar ética profissional, a harmoniosa cumplicidade entre treinador e jogador. Telê é chamado de mestre. Dele, diz-se que nunca houve melhor profissional, atestam que seus ensinamentos aos jogadores transcendiam as quatro linhas e viravam lições para a vida, juram de pé junto que Telê está para o futebol do final do século XX assim como Charles Müller para o do início. A Telê não só atribuem o legado de um futebol perfeito, idealizado, como também o canonizam como o santo protetor desse tesouro. Assim como o número das amantes de JK diminuiu de dezoito para uma com o passar dos anos, os feitos de Telê serão ainda mais exagerados no futuro.

Pergunto-me se o ex-técnico da Seleção e de clubes como o São Paulo é merecedor de tamanho prestígio. Suspeito que não. Desconfio que a simpatia dos profissionais da crônica esportiva pela figura de Telê está contribuindo para a construção do mito. Em termos de conquistas, o currículo do “mestre” não difere muito dos demais técnicos brasileiros. Valdir Espinosa, por exemplo, assim como Telê, também foi campeão mundial de clubes (pelo Grêmio, em 1983). Duvido que Espinosa, o Marlon Brando brasileiro, ganhe sequer uma nota de rodapé quando da sua morte. Paulo Autuori, atualmente no Kashima do Japão, já ganhou duas Libertadores ( Cruzeiro 97 e São Paulo 2005 ) e um Mundial de clubes ( São Paulo 2005 ) e seu nome nem tem grande repercussão na mídia. Quanto a Seleção brasileira, time que dirigiu em duas Copas (82 e 86), quais são as conquistas de Telê ? Falarão, decerto, da seleção de 82, “que encantou o mundo e não ganhou nada por um acidente do destino”. É uma questão duvidosa, posto que subjetiva. Um time pode agradar a um indivíduo e desagradar a outro. Trata-se de gosto pessoal. No futebol, apenas as conquistas são irrefutáveis.

Agora, com relação ao caráter de Telê, torço para que ele realmente tenha sido tão íntegro como é pintado na imprensa. Bons exemplos para as pessoas nunca são demais. Que sua postura idônea, sua justeza de espírito e correção das ações inspire não só os profissionais da bola, mas ainda todos aqueles envolvidos em quaisquer setores de nossa sociedade.

Na década de 50, quando jogava no Fluminense e dava seus primeiros passos no futebol, Telê foi apelidado pela torcida de “Fio de Esperança”, devido à sua compleição franzina. Atualmente, fazem do Fio um novelo inteiro. Romantizar a trajetória de um homem transformando-o num herói tira dele a virtude que mais o aproximaria das pessoas comuns: a sua humanidade.

Vítor Matos é estudante de Comunicação Social na UnB e reveza esta coluna com Guilherme Rocha.

Artigos e colunas são de responsabilidades dos respectivos autores, não sendo necessariamente a opinião deste blog.

Terça-feira, 25 de Abril de 2006

Ombudsman

Exercitando a resistência
por Leyberson Lelis

Quanto tempo mesmo? Sete meses. Prematuro? Um pouco, mas cheio de vida. Boas intenções, dedicação e disposição. Junte esses e tantos outros elementos e construa algo novo. Então, tá:“Esse blog pretende informar os estudantes de Comunicação, e por que não da UnB, sobre o que acontece em nossa faculdade, as decisões dos professores, do próprio CACOM e claro, assuntos relevantes para todos os estudantes”.(21 de setembro de 2005)

Assim, com um trecho acanhado, nasce e se apresenta mais um espaço de experimentação, exercício e liberdade de informação. Em meio à última greve, o Blog do CACOM apresentou-se humildemente em sua vontade de informar e, sem precisar competir com outro modelo semelhante - afinal, não creio que exista outro - está conseguindo, há alguns meses, fornecer elementos de análise, informação e, com certeza, registrando um bocado de fatos que passariam batidos pelos “níveis de relevância” de nossa imprensa institucional e universitária. (ACS/CAMPUS 1 e 2)

(Eu me lembro bem que, quando fazia o Campus, o sumiço da xerox da FA foi pouco para ocupar as tão disputadas páginas do nosso jornal laboratório. Quem sabe, não teria espaço mesmo? Mas a minha curiosidade bateu e, graças ao blog, vi as marcas no chão de um quiosque desaparecido. Se não fosse pelo CACOM, talvez ainda pensasse que tudo não se passava de um seqüestro dos textos por parte de alguns alunos desesperados de Teoria Política Moderna ou de outra matéria “braba”)

E para que voltar ao início? Afinal, esse “ombudsman” não é para analisar a recente produção? Talvez, mas me alongo um pouco mais, pois quero dizer que a resistência é um privilégio de poucos. E é isso que o Blog do CACOM tem mostrado durante todo esse tempo. Independente de uma análise crítica e, talvez um pouco fria, de todos os elementos jornalísticos que ora são usados com maestria, ora abandonados propositadamente (ou não), o blog tem sido um ótimo exercício de perseverança nessa função social de informar e estimular a formação de quem lê.

Sem linhas editoriais carregadas por cunhos políticos ou empresariais, e também sem negar espaço a quem deseja dizer um “oi” ou “tchau” o CACOM serve de pauta e de escola para os repórteres, colunistas e aqueles que o lêem, como jornalistas desinformados sobre a greve ou, até mesmo, os próprios professores. (Sim, isso é verídico)

Ah, hora de ser chato - Entretanto, de acordo com um olhar um pouco mais cético, diria que o CACOM, às vezes, peca em sua boa vontade. Na matéria de entrevista ao Timothy, não consigo crer muito no apoio que o reitor quer dar aos estudantes. Durante a entrevista, a “mão amiga” se enche de elogios ao Blog. Isso me lembra um pouco uma velha mania de alguns políticos de elogiarem o trabalho dos seus questionadores, esperando ganhar um pouco mais de apreço por sua pessoa.

E vale lembrar que nessa história não sabemos ainda a intenção dos mocinhos. O Timothy, durante os dez anos de dívida de água e luz citados na matéria, esteve presente fortemente no gabinete do reitor (chefe-de-gabinete/vice e vice) por 12 anos e só agora arca com o ônus. Enquanto isso, o já deficitário sistema de alimentação da universidade desmorona e a extensão, que vive um certo momento de destaque, se vê numa difícil missão de escolher os mais “aptos” a ganharem uma bolsa. Aos outros, infelizmente, resta o voluntariado e a força de vontade.

Para esse ombudsman que adora dar palpite, a seguinte análise da situação é possível: se há problemas, com certeza, há um histórico de erros para isso. A relação dos fatos não está, necessariamente, ligada ao nome do atual reitor, mas sim nas gestões que ele fez e faz parte.

Outra constante no Blog são os erros no português. Eu não sou a melhor pessoa para falar nisso e não duvido que o meu texto não esteja cheio de vícios. Mas muitas matérias têm ficado com problemas ortográficos simples. Falta palavra numa frase, alguns “ss” em outras. Deve existir um motivo: a falta de tempo, pressa ou desatenção. Nesse sentido, alerto apenas para que não deixemos isso atingir a abordagem e apuração de nossas reportagens.

Mas são só sete meses de vida, o direito de errar está garantido no Estatuto da Criança e do Adolescente dos blogs informativos. Por isso, façam bom uso, errem sempre que não for possível acertar, mas não se acostumem e resistam ao comodismo do erro.E não deixem, jamais, de exercitar a resistência.

Leyberson Lelis é estudante do 7º semestre de Comunicação Social na UnB.

Sábado, 22 de Abril de 2006

Estude línguas na UnB

Estão abertas até sexta-feira, dia 28, as inscrições para os cursos de francês ou espanhol da Escola de Línguas da UnB. Há turmas para quem está nos níveis básico, intermediário e avançado, exceto para Francês, que oferece apenas o básico.

Os interessados devem se inscrever no estande da escola montado na entrada norte do ICC. Para alunos da UnB, o semestre custa R$ 170,00; para funcionários, R$ 185,00 e para os demais, R$ 200,00. Esses valores podem ser parcelados em duas vezes.

As aulas são ministradas na UnB ou na sede da escola (SCS, quadra 4, Edifício Anápolis) sempre duas vezes por semana, às segundas e quartas ou às terças e quintas. Para quem tem restrições durante a semana, há alternativas também aos sábados e no horário de almoço. A lista completa com horários está disponível na página www.escoladelinguas.unb.br. As aulas iniciam dia 8 de maio (espanhol) e em 15 de maio (francês).

Informações pelos telefones 3037-2939 e 3037-2092.

Da Assessoria de Comunicação da UnB.

Sexta-feira, 21 de Abril de 2006

Uma palavra com o reitor

Timothy Mulholland fala ao CACOM sobre alguns projetos e demonstra seu apoio às iniciativas dos estudantes
por Bárbara Rosa
fotos: Thaíse Torres


Na última terça-feira (18/04) pela manhã , em uma rápida entrevista no corredor da FAC, o reitor Timothy Mulholland respondeu a algumas perguntas sobre os projetos de extensão, a ligação da FAC com o CPCE (Centro de Produção Cultural e Educativa) e a falta de verba para investir no Departamento de Comunicação.

Quando foi questionado a respeito da ligação da FAC com o CPCE, Mulholland explicou que este é um órgão que atinge toda a UnB, e há uma preocupação em assegurar que ele atenda as necessidades de quem o procura. O CPCE e a FAC possuem temas em comum, como a gravação de vídeos, e por isso a relação entre eles deve ser estreitada. “Devido à lerdeza da burocracia, a rádio universitária estará em funcionamento apenas no ano que vem. Já a TV universitária é um projeto em parceria com outras universidades, em especial com a Universidade Católica de Brasília, que será veiculada em um canal a cabo”, menciona o reitor.

A falta de verba para investir em equipamentos e professores não é considerada pelo Reitor um empecilho para a realização de tais projetos. Para ele é possível ter uma TV universitária e uma FAC forte com uma integração horizontal entre as duas bem definida, pois o projeto da TV universitária é independente da Faculdade de Comunicação. São dois assuntos distintos.

No entanto, o problema financeiro não pára por ai. Mesmo com uma verba tão limitada, o Departamento de Comunicação ainda tenta melhorar a situação dos projetos de extensão. Aproveitando a oportunidade, o CACOM perguntou ao Reitor o que poderia com relação às bolsas desses projetos de extensão. “Esse ano tivemos que pagar a água e a luz que não eram pagas há 10 anos e mesmo assim eu tento aumentar a receita da universidade. O departamento é que lida mais diretamente com a verba dos projetos, mas , o que temos que fazer é aumentar o número de bolsas dos projetos de extensão e assegurar o auxílio aos estudantes carentes”, respondeu.



No final da entrevista, o Reitor falou sobre a participação dos estudantes no meio acadêmico e comentou que os estudantes possuem lugar nos assentos dos Conselhos com uma representação expressiva. “Um número de 10 a 12 pessoas para simbolizar os estudantes é muita coisa, equivale a quantidade de representantes de seis faculdades juntas. O importante é que o aluno esteja presente e que participe de todas as reuniões e assembléias”, afirma. Um exemplo do apoio que Timothy dá aos alunos foi demonstrado quando ele disse que aprova projetos independentes como o Blog e o Jornal Impresso do CACOM, prometendo até dar o auxílio que for necessário a esses veículos de comunicação dos estudantes pois, para ele, o futuro do Brasil passa pela Universidade.

Cultura

Duas mostras de cinema encerram-se neste domingo na capital
por Marco Prates

Mostra Vídeo nas Aldeias - "Um Olhar Indígena"

"Nossa sociedade se move, se expande, enquanto a deles tem que permanecer fixa, imutável, para atender a necessidade que nós temos de uma saudade da tradição. Em contraposição a esse desejo, eles mostraram que tradições são sistemas intelectuais dinâmicos e capazes de mudar. Infelizmente, o que a mídia veicula habitualmente não são esses processos riquíssimos de reflexão dos índios sobre a mudança. Seus dinamismos culturais continuam sendo desconhecidos, na medida em que suas vozes continuam sendo caladas, cobertas pelas vozes dos que se julgam especialistas".

Estas são palavras de Dominique Gallois e Vincent Carelli em artigo para a Revista de Antropologia, Artes e Humanidades, e são os nomes que estão por trás da realização do projeto Vídeo nas Aldeias, que já acontece desde 1988. Elogios a parte, o maior mérito do projeto, além de ser rico em abordagens e questões sociais, é a formação de realizadores indígenas, que fizeram suas próprias obras. É hora de saber o que os índios têm a dizer.
Confira o local e a programação.

Encontro com o Cinema Brasileiro

Mostras de cinema brasileiro já não são nenhuma novidade. A diferença é que aqui os filmes são bons, e podem ser vistos não só por aqueles nacionalistas exacerbados que parecem querer custear o cinema nacional sozinhos, mas pelos que desejam assistir a um bom filme, seja lá de onde for.

As obras giram em torno do tema “o poder nas lentes do cinema nacional”, ou seja, as relações de poder, não exclusivamente no âmbito político, embora, claro, se concentre neste. Vale conferir a realidade das favelas do Rio no obrigatório Notícias de uma Guerra Particular, de João Moreira Salles e Kátia Lund, e o ácido Quanto Vale ou é Por Quilo?, de Sérgio Bianchi. Embora só tenha visto 3 dos cinco 5 filmes da mostra, todos geram boas expectativas.

Novamente, vá pelos filmes. No CCBB.
Confira a programação

Quinta-feira, 20 de Abril de 2006

RU sem funcionários

Falta de verba impede a reposição do quadro do Restaurante Universitário e força o fechamento de dois refeitórios
por Diogo Alcântara e Guilherme Rocha
fotos de Thaíse Torres


Os refeitórios 1 e 2, ambos do andar de baixo, do Restaurante Universitário (RU) estão fechados por tempo indeterminado. Tal situação faz com que as filas no horário de almoço (das 11h às 14h) sejam constantes. Antes, com todos os refeitórios abertos, as filas costumavam acontecer apenas entre 12h e 13h. Mesmo assim, o RU já funcionava com dificuldades; a quantidade de trabalhadores já era insuficiente.

Segundo o secretário da direção do RU, Djalma Correia, os ambientes 1 e 2 estão fechados por falta de pessoal. "Alguns funcionários se aposentaram", afirma Correia. Muitos funcionários do quadro estão com tempo de serviço a expirar. Dez deles já se aposentaram mês passado. Assim, "11h já tem fila grande", diz o secretário. Casos de Lesão por Esforço Repetitivo, aceleram as aposentadorias.


A Administração do RU já solicitou à Reitoria a reposição de funcionários. Porém, não há concurso para auxiliar-de-cozinha, cozinheiro e outras funções do Restaurante. A solução encontrada é a contratação de pessoal terceirizado, o que não garante um quadro fixo de trabalho.

Suzana Xavier, da Secretaria de Recursos Humanos da Reitoria (SRH), acredita ser necessário um mínimo de 70 vagas para o Restaurante voltar a funcionar plenamente. Esses novos profissionais custariam, em média, R$101.000,00 mensais para salários, por exemplo. A UnB não dispõe dessa verba e sofre ainda com a falta de Orçamento para as Universidades Federais. Sem o Congresso Nacional aprovar o dinheiro destinado a estas instituições, não há como bancar os custos. Desta maneira, o CESPE paga, provisioriamente, a conta.



O processo de licitação de vagas está previsto apenas para agosto deste ano. Até lá, o RU deve funcionar com dois refeitórios a menos.

Quarta-feira, 19 de Abril de 2006

Coluna - Futebol

Bola a bombordo!
por Vítor Matos

No sábado, dia 22, a nação estará em festa: comemoraremos o aniversário da chegada de Cabral e seus asseclas por aqui. Lá se vão 506 anos de muitas estripulias, aventuras e causos pra contar. O Brasil está se tornando um senhor de cabelo grisalho, cheio de responsabilidades e aspirações. Seus netos e filhos, só para se ter uma idéia, contabilizam mais de 180 milhões de pessoas. (É claro que nem todos respeitam o avô). É muita gente para cuidar, recursos para gerir, terras para administrar. E pensar que toda essa história só pôde ser construída graças à bravura dos marujos portugueses, singrando os sete mares, desfraldando as velas, navegando rumo ao desconhecido. “Ó mar salgado, quanto do teu sal/São lágrimas de Portugal!/Por te cruzarmos, quantas mães choraram,/Quantos filhos em vão rezaram!/Quantas noivas ficaram por casar/Para que fosses nosso, ó mar!/.(...)” Fernando Pessoa.

Mas há outro motivo para celebração no próximo sábado. Estaremos a apenas 48 dias da Copa do Mundo. As 32 seleções já se vêem às vésperas do evento. É hora de calafetar as embarcações, revisar as escotilhas e convocar os últimos marujos para a missão. Nesse Mundial, como nas caravelas de Cabral, a ordem é remar forte para não morrer na praia. Portugal, aproveitando sua experiência com a escola de Sagres, promete aparecer com uma esquadra impecável na Alemanha. A novidade dessa vez fica por conta do comandante, o capitão Scolari, proveniente dos mares tupiniquins e conhecido mundialmente pela firmeza e rigor com que dirige seus subordinados.

A frota inglesa vem com sede de vitória. Invicta no oceano, infelizmente para os súditos da rainha o mesmo não pode ser dito quanto aos gramados. Copa após Copa, os ingleses naufragam copiosamente, deixando o páreo antes de avistar terra firme. Contudo, seus jogadores não vão para o fundo do oceano, vão parar no fundo do poço. Da última vez, em 2002, foram afundados por um tiro de canhão do Ronaldinho Gaúcho que acertou a proa do goleirão Seaman. Depois da Copa, ultrajado pelo inimigo, esse mesmo goleiro não teve outra alternativa senão a aposentadoria antecipada.

E que ninguém subestime o poderio dos barcos viking. Os suecos prometem reencarnar a valentia de seus antepassados e conquistar, na base da força, o título inédito. Dizem que os vikings chegaram à América muito antes dos outros povos europeus. Pois bem, chegou o momento de surpreenderem novamente. Suas esperanças recaem sobre os ombros de um habilidoso timoneiro, Ibrahimovic, jovem atacante da Juventus de Turim. (Capacetes com chifres são proibidos aos jogadores durante os jogos ).

A Holanda jura que esse ano conseguirá, enfim, atingir a glória suprema. Todavia, sua herança histórica não ajuda muito nesse sentido. Acostumadas a fazer o transporte de açúcar através da Companhia das Índias Ocidentais, os planos das embarcações holandesas acabam sempre sendo melados. Isso quando não há a interceptação dos piratas americanos, situação comum no Atlântico, levemente improvável entre as quatro linhas.

Adversários à parte, o navio brasileiro tem o caminho mais fácil até a Taça. Explica-se: nossos marujos orientam-se pelas estrelas e só no nosso uniforme há cinco delas. Nenhuma tripulação que vai concorrer à Copa do Mundo dispõe de tamanho recurso.

Vítor Matos é estudante de Comunicação Social na UnB e reveza esta coluna com Guilherme Rocha às quartas-feiras.

As colunas e artigos não refletem necessariamente a opinião deste Blog, sendo eles de responsabilidade de seus autores.

Terça-feira, 18 de Abril de 2006

Opinião

por Guilherme Rocha

As Universidades Federais brasileiras só vão escapar do sucateamento com uma política governamental voltada para a educação. Não se sabe ainda sequer quanto cada ministério terá para trabalhar! Assim, não se pode fazer projetos, planos, metas.

O que falta é verba. Então, consigamos o dinheiro! É necessário deslocar mais recursos para o ensino (não só o superior mas também, e principalmente, o fundamental e médio) e para o combate à corrupção, a qual limpa os cofres públicos.

A tendência é, portanto, que, daqui a três ou quatro décadas, as universidades federais percam seu prestígio para as privadas, como aconteceu com as escolas públicas.

As colunas e artigos não refletem necessariamente a opinião deste Blog, sendo eles de responsabilidade de seus autores.

Os problemas de sempre

UnB volta às aulas com déficit de professores e com uma dívida de R$4 milhões

O DFTV da Rede Globo divulgou ontem, em sua segunda edição, que a UnB retoma suas atividades, mas cheia de problemas. Segundo a reportagem, faltam 240 professores e a universidade deve mais de R$4 milhões; entre os problemas com os gastos está inclusive a conta de água.

O campus de Planaltina, uma dos novidades para este semestre, também conta com dificuldades. A matéria cita que há 20 professores na ativa, mas que são necessários mais 60. O reitor Timothy Mulholland disse que a solução provisória para amos os campi é a contratação de professores substitutos.

Tantos problemas são agravados pela não votação do Orçamento no Congresso Nacional.

Segunda-feira, 17 de Abril de 2006

IV Concurso Nacional de Fotografia/Música

A Secretaria Nacional Anti-drogas (SENAD) promove dois concursos com o tema "Atitudes Positivas na Vida e a Prevenção do Uso Indevido de Drogas". Os prêmios vão de R$1 mil a R$4mil.

Um dos concursos é de fotografia (amador ou profissional). O fotógrafo deve enviar apenas um trabalho, inédito, em apenas uma categoria. O outro é de música: os participantes devem enviar um jingle de exatamente 25 segundos.

O prazo de entrega de ambos vai até o dia 20/4.

Regulamentos completos no site: www.obid.senad.gov.br .

Domingo, 16 de Abril de 2006

Editorial

Amanhã começa o primeiro semestre de 2006 na UnB. Motivo de alívio? De revolta por um recesso em vez de férias? Indiferença? Cada um tem um sentimento quanto a isso. Entretanto, o comum mesmo é essa história de matrícula.

Fazemos nossos planos, montamos nossas grades, pedimos as matérias dos nossos sonhos e, no dia do resultado da matrícula, vemos que recebemos a vigésima prioridade das disciplinas optativas. Por quê? Ora, a UnB, mesmo com a aprovação recente da contratação de 86 professores, tem um dos maiores índices alunos/professor do país, ou seja, tem estudante demais para vagas de menos nas salas de aulas.

Isto significa que o aluno corre o risco de não ter boa formação, pois uma disciplina importante, pré-requisito para tantas outras, pode ser impossível de cursar simplesmente porque não há vaga para todos os interessados. Assim, matérias mais avançadas têm suas salas esvaziadas, já que ninguém tem o tal do pré-requisito. Resumindo, os estudantes não cursam o que têm interesse.

Outro problema é o currículo de alguns cursos. O de Comunicação Social, por exemplo, fornece para os alunos apenas as disciplinas da Faculdade de Comunicação (FAC), enquanto o Instituto de Política (outro exemplo), oferta não só Introdução à Ciência Política mas também matérias de outros departamentos, como Introdução à Economia. Desta forma, os alunos de primeiro e segundo semestre da FAC, por exemplo, recebem dez créditos de obrigatórias (sim, aluno de outro curso, pode rir). Disciplinas de domínio conexo não são ofertadas para os alunos da FAC. E como é difícil consegui-las na matrícula, reajuste, aproveitamento...

E olha que nem falamos da demora do processo de ajuste.

Sexta-feira, 14 de Abril de 2006

Cultura

A Capital está mais tranqüila por causa do feriado, mas não se desespere. Não faltam oportunidades para quem ficou
por Thaíse Torres

O cinema está aí, como sempre, e temos algumas estréias ao menos interessantes nesse fim de semana:

Para quem é fã do seriado Sex and the City, e da atriz Sarah Jessica Parker, ‘Armações do amor’ (Failure to Launch – EUA – 2006 ) é uma comédia indicada para quem não está afim de nada além de se distrair ou admirar o talento da atriz.

Os fãs de suspense/terror devem vibrar com a estréia de ‘O Albergue’ (Hostel – EUA – 2005). O filme fala de um grupo de amigos que atraídos pela idéia de sexo fácil, parte para a Eslováquia. O que eles pensavam que seria um pequeno paraíso na terra, começa aos poucos a se transformar em um lento e aterrorizante pesadelo.

Para os nostálgicos, ou apenas fãs de Nintendo, temos amanhã, a partir das 13:30 na Escola Parque 210/11 Sul, a segunda edição do Nintendo DF. O evento é dedicado aos fãs de jogos como Mario Kart 64 (eu adoro esse!), Bomberman (!!) e muitos outros. Os ingressos podem ser adquiridos na Kingdom Comics (Conic), Pendragon (Venâncio 2000) ou na hora do evento.

Teremos no Lago Norte, hoje, a partir das 23h, a festa Goth Embrace, para quem tem ou quer conhecer um estilo mais alternativo. Show com as Bandas Type O’ Negative (cover), A Banda Invisível, Projeto Reinfield, Dj’s Gustavo Glamour e Lobo. (Landscape Pub, Entrada R$10,00 com direito a R$5,00 em consumação, www.landscapepub.com.br).

Amanhã, a partir das 22h no Camping Show, Jorge Ben Jor, na Calourada do CEUB. No show, haverá também a Banda do Zé Pretinho, e os DJs Pezão e Barata, Mario Fischetti e Swarup, para agradar a todos os gostos, ou ao menos fazer um intervalo. Ingressos na Discoteca 2001, Pizzaria Dom Bosco, R$20 meia.

E para quem vai ficar em casa mesmo, recomendo alugar um filme. Minha dica é Dr. Mabuse, de Fritz Lang. Certamente uma boa pedida para quem admira o cinema alemão.

Thaíse Torres reveza esta coluna com Marco Prates às sextas-feiras.

Quarta-feira, 12 de Abril de 2006

Coluna - Futebol

"O Pelé dos técnicos"
por Guilherme Rocha

V(W)anderlei(y) Luxemburgo levou mais um caneco. Confesso que fiquei surpreso com a conquista porque ele é famoso pelos seus títulos, mas sempre com uma grande equipe para comandar. Foi assim no Palmeiras/Parmalat, no Corinthians, no Cruzeiro/Alex e na Seleção (quando ganhou a Copa América). Porém, agora ele chegou lá com um time simples, mas que soube montar e organizar muito bem. Apenas com o Bragantino, em 1990, o Luxa não tinha um elenco famoso e consagrado e conquistou o Campeonato Paulista.

Hoje, além dos seus tantos Brasileiros e outros tantos Paulistas, Luxemburgo pode se gabar (ou não!) de ser considerado por Edson Arantes do Nascimento “o Pelé dos técnicos”. Tá certo que o Pelé é o Pelé, mas o treinador merece tanto assim tal descrição?

Acho que não. Há treinadores acima dele (ou houveram). Telê Santana, Rinus Michel, Zagallo e o pouco falado João Saldanha, aquele que moldou a Seleção de 1970. São treinadores ou inovadores ou estrategistas ou os dois. E em medida maior do que é W(V)anderley(i). Michel implementou o “futebol total” na Holanda dos anos setenta. Saldanha organizou um time com cinco jogadores de frente (Pelé, Tostão, Jair, Gérson e Rivellino) e Zagallo fez dele campeão incontestável. E Telê... é indiscutível. Então, pode ser ele considerado o treinador dos treinadores? O maior do século?

Entretanto, façamos justiça. Luxa não fracassou no Real Madrid. Ele deixou o time a seis pontos do Barça e classificado na Liga dos Campeões. Então, por que não deixaram surgir o resultado do trabalho dele? Ciúmes dos tantos jogadores brasileiros? E ele não fracassou na Seleção Brasileira também. Conquistou a Copa América, estava em segundo lugar nas Eliminatórias e deu um banho na Argentina (lembram daquele 3 a 1 no Morumbi?).

Por fim, apesar de defendê-lo, eu não gostaria de vê-lo no meu time. Não gosto de treinadores com ego maior que o próprio clube (ou nação). Depois de Parreira, eu gostaria de ver Paulo Autuori à frente da Canarinho, já que Felipão deve continuar na Europa. Ele pode não ser nem o Pelé, nem o Saldanha... Mas é simplesmente ele. Simplesmente.

Guilherme Rocha reveza esta coluna com Vítor Matos às quartas-feiras.

Bolsas de extensão

Saiu o edital para bolsas de extensão na UnB

Circular DEX nº 03/2006

Brasília, 10 de abril de 2006.
Para: Comunidade Acadêmica
Assunto: - Edital para Bolsas de Extensão

Prezados Membros da Comunidade Acadêmica,

O Decanato de Extensão lança hoje o Edital do Programa Institucional deBolsas de Extensão - PIBEx/2006. A partir desta data, as bolsas de extensão serão concedidas aos estudantes diretamente. O estudante deverá apresentar, entre outros documentos, um Plano deTrabalho associado a Projeto de Extensão de Ação Contínua aprovado na Câmarade Extensão (CEX) e ser recomendado pelo coordenador do projeto. O Edital, na íntegra, encontra-se disponível no site:http://www.unb.br/portal/administracao/decanatos/dex/index.php .

Serão oferecidas 163 bolsas no valor de R$300,00 cada, pelo período de maio a dezembro de 2006. Informamos também, para aqueles professores que ainda não encaminharam suas propostas de Projeto de Extensão de Ação Contínua, que a Câmara deExtensão se reunirá em abril apenas no dia 20.

As solicitações para bolsas deverão ser encaminhadas ao Protocolo Geral daUnB até o dia 05 de abril. Maiores informações contactar DTE/DEX pelos telefones 307-2612 ou peloe-mail:

Terça-feira, 11 de Abril de 2006

Crônica

Ô Silveira!
por Thaíse Torres

“Ô Silveira, me diz aí: qual o menor circo do mundo?

- Num sei não... Qual é?

-A farda de um militar. Por quê?

- Porque só cabe um palhaço.”

Para alguns, isso é tudo o que sobrou da ditadura militar. Será mesmo?

Quantas famílias ainda sofrem com os efeitos, as conseqüências do período em que as amarras que prendiam nosso país estavam mais firmes do que nunca? Tenho certeza que são muitas e que as pessoas que mais intensamente sentiram a repressão, jamais esqueceram tudo por que passaram. Uma época em que até o que se dizia ou cantava deveria ser pensado, repensado e talvez não dito, não passa assim. Tente subir num caixote na frente do congresso ou de qualquer palácio e expressar (ainda que civilizadamente) e veremos o que acontece (ou pior, pode ser que nem vejamos mais, principalmente se você já for “conhecido”). Isso é porque se não me engano, está escrito em algum lugar que o cidadão tem garantia da liberdade de expressão.

A tristeza e a dor provocadas pela morte dos que se foram nas mãos da Ditadura, mãos estas sangrentas e com certeza carregadas de culpa, são aquelas que ainda persistem em nossa sociedade. Talvez, a dor de quem ficou e sofreu com pesadelos as torturas nos porões da ditadura seja ainda maior por pensarem que sofrem até hoje, silenciosos, por um dia terem se atrevido a pensar alto.

Mas você também pode estar confortando-se, pensando que isso é paranóia. Que eu estou imaginando coisas e que os tempos mudaram e você também não teria aceitado “desaforos” que alguém lhe dirigisse (mesmo se fossem verdade?). Bem, se você acha que é paranóia, diga isso àqueles que se expressaram e que hoje não conseguem tocar em um violão (Geraldo Vandré), àqueles que “foram suicidados” (Vladmir Herzog) e a tantos outros que levaram choques, socos, chutes e foram humilhados de tantas outras formas por pensarem e ousarem em uma época em que a maioria se escondia de seus sonhos e preferia aceitar a vida e ignorar os fatos.

Os militares sempre estiveram no comando, seja de forma explícita ou implícita. Por que você acha que o símbolo máximo de nosso país tem gravado ao centro “ORDEM E PROGRESSO”?

Segunda-feira, 10 de Abril de 2006

Especial - Entrevista: Carlos Chagas

Confira a segunda parte da entrevista especial com o jornalista e ex-professor da Faculdade de Comunicação da UnB, Carlos Chagas
por Gabriel Castro

CACOM: Nesses anos todos, o senhor já se envolveu alguma vez com a militância política?
Carlos Chagas:
Não, não me envolvi. Na verdade, eu me aproximei não de um partido, mas de uma figura que admirei: Leonel Brizola. Identifiquei-me com o discurso nacionalista dele. Desde 1961, quando eu já era repórter de O Globo e ele organizou a Campanha da Legalidade, pela posse de João Goulart. Depois, tive a oportunidade de me aproximar dele, mantive uma ligação permanente com suas idéias e sua luta.

Ele sempre falava para eu me candidatar, mas nunca tive interesse por isso. Não tinha uma ligação com o partido, gostava das idéias do Brizola mesmo. Participei, isso sim, do programa eleitoral do PDT. Duas vezes por ano, os partidos têm direito a um espaço na televisão; é a propaganda partidária. A propaganda do PDT era sempre com a câmera centrada no Brizola e ele falava o tempo todo. Um dia ele me disse estar cansado desse formato. As pessoas já não davam mais atenção a ele. Então nós acertamos que, duas vezes por ano, eu iria entrevistá-lo para o programa partidário. Mas era uma entrevista de verdade, eu elaborava as perguntas abrangendo vários temas. “É verdade que o senhor quis fechar o Congresso uma época?”, perguntei uma vez. A entrevista de verdade acontecia, com perguntas duras. Fiz isso durante alguns anos, só parei quando ele morreu.

CACOM: O senhor chegou a ser filiado ao partido?
CC:
Eu me filiei uma vez, quando o Brizola veio com uma ficha para eu assinar. Eu falei: “Mas eu não participo de nada, não vou me filiar”. Ele respondeu dizendo que era só para constar lá no partido. Mas nunca cheguei a militar e essa filiação não foi homologada. Tanto que se você olhar na ficha dos filiados do PDT, não vai achar meu nome. Mas o fato é que eu me identifiquei muito com o programa nacionalista do Brizola. Nunca acreditei nessa globalização fajuta, nesse neoliberalismo, o sistema de “cada um por si”. Modestamente, sempre fui contra isso. Por isso me identifiquei com a pessoa do Leonel Brizola.

CACOM:E o que o senhor vem achando do governo Lula?
CC:
Ah, foi a maior frustração do mundo.

CACOM: O senhor votou nele?
CC:
Claro, todo mundo votou nele. Foi um grande estelionato eleitoral, porque ele e o PT pregaram mudanças - limitar a especulação financeira, usar mais dinheiro no investimento social, renegociar os juros da dívida. Fazer com que os ricos ficassem um pouco menos ricos e os pobres, um pouco menos pobres. Mas quando o Lula chegou no poder, frustrou a opinião pública. Por exemplo, ele isentou o capital especulativo de pagar impostos. Se eu quiser ajudar o governo e comprar títulos da dívida, eu vou pagar 22% de imposto de renda. Mas o especulador, estrangeiro ou brasileiro, não paga imposto. Outro foi esse aqui [apontando o livro de Fernando Henrique Cardoso - "A Arte da Política"]. FHC foi o Satanás da História, com esse modelo de privatizações. Tem coisas que o Estado não precisa ter, como hotéis, e até a Siderurgia está em condições de ser passada para o capital privado. Mas o FHC privatizou as telecomunicações, que são uma questão de segurança. Qualquer informação que você passe por telefone, os americanos podem ter acesso. Se há movimentação de tropas, eles podem ficar sabendo. Eles estão de olho, os satélites são deles. Se você quiser saber quanto vale o subsolo brasileiro, não vai conseguir. É impossível descobrir o quanto de riqueza existe no subsolo do Brasil. Um trilhão? Dois trilhões? Quatro trilhões? Não se sabe ainda. Mas o FHC vendeu ao estrangeiro o direito de explorar nosso subsolo, vendeu a Vale do Rio Doce por quanto? Uns dois bilhões. As ferrovias também. Elas estão sucateadas, e isso é resultado da privatização. O sistema ferroviário é muito mais econômico. Imagine qual seria o preço da soja, se ela fosse transportada de trem e não de caminhão?

CACOM: Qual a perspectiva do senhor para as próximas eleições?
CC:
Olha, tirar o Lula e colocar o Alckmin é tirar o seis e pôr o meia-dúzia. É a mesma coisa. Eu cheguei até a votar no doutor Enéas em 1998, de indignação. Nessa próxima eleição, estou vendo que vou ter de votar na Heloísa Helena, mesmo sabendo que ela não vai ganhar. Vamos ver se surge uma alternativa a esse neoliberalismo. O Lula, quando ganhou, eu achava que iria mudar, por ele ser operário. Mas esse operário está mais para banqueiro.

CACOM: E como o senhor vê o futuro? Pensa em parar um dia?
CC:
Sim, eu penso. Quando completar 70 anos, vou sentar e refletir muito bem sobre isso.

CACOM: Mas pensa em parar completamente?
CC: Não, eu não consigo. Mas quero me dedicar a escrever um livro. Já escrevi alguns, o último foi “O Brasil Sem Retoque”, que saiu em 2002. Escrevi também “113 dias de angústia”, “Guerra das Estrelas”, "Resistir é preciso" e outros. Eu escrevi sobre os bastidores da sucessão presidencial no Regime Militar: Castello Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo. Como chegaram ao poder, todos eles?

CACOM: Como era ser jornalista naquele período?
CC:
Naquela época, fui processado três vezes pela Lei de Segurança Nacional. Não cheguei a ser preso, só fui depor e ser fotografado, geralmente de madrugada, para intimidar. Tive mais ou menos 200 artigos censurados. O censor ficava na redação; quando ele não gostava do artigo, fazia um "X". O jornal colocava poesias no lugar do texto cortado.

Em 1974, o Geisel ia assumir a presidência. Um ministro dele garantiu-me que a censura iria acabar. Eu pensei: já que vai acabar, tenho mais liberdade para escrever. Eu não entendo de economia, então fui à UnB e falei com alguns professores que me ajudaram a escrever um artigo chamado “O Falso Milagre Brasileiro”. Ele desmontava, ponto a ponto, aquilo que o governo dizia sobre a economia do país. Mas a censura não acabou naquele momento. O governo Geisel demorou ainda uns dois anos para iniciar a abertura. No dia seguinte à posse de Geisel, o censor cortou o meu artigo. Aí fiquei realmente chateado. Artigos políticos, ele podia proibir 300 que eu escrevia de novo. Mas esse, não. Eu tinha pesquisado, ouvido especialistas em cada ponto. Sentei à máquina e escrevi um outro artigo, chamado “O Falso Milagre Baldônico”. Inventei um país, chamado Baldônia Interior, e reescrevi o artigo usando os mesmos números, os mesmos argumentos. Era o artigo de antes, mas eu havia trocado o nome do país. Quando o artigo chegou lá em São Paulo, dizem que o censor falou: “Até que enfim esse Carlos Chagas resolveu escrever sobre política externa!”

Domingo, 9 de Abril de 2006

Nota do editor

Excepicionalmente hoje, não haverá ombudsman. E confira amanhã a segunda parte da entrevista com Carlos Chagas.

Sábado, 8 de Abril de 2006

Cultura

Música
por Marco Prates

Muitos ainda não sabem que, em Brasília, rola muita música em muitos lugares diferentes. Nada como São Paulo, em que cada cidadão, se pesquisar, pode encontrar algo que realmente seja de seu interesse, de sua "tribo", como se costuma dizer. Mas é inegável que se pode ir para um bar e contar com uma boa música de fundo, ou mesmo estar em algum lugar pelo concerto e por ele somente. Segue abaixo duas dicas de lugares que têm se destacado pelo respeito a música e ao músico e já estão consolidados no cenário brasiliense.

Clube do Choro
Quem freqüenta o tradicional Clube do Choro quer mais ouvir música do que conversar. Dialoga-se antes, entre os intervalos e depois dos números musicais, mas jamais durante, sob o risco de ressalvados shshshshshs da platéia. Pedidos ao garçom, felizmente, são permitidos.

Localizado entre a Torre de Tv e o Centro de Convenções, este ano um projeto ambicioso está tomando forma: "Radamés Gnattali – 100 anos". Segundo o release do próprio estabelecimento, Radamés Gnattali era "maestro, arranjador, compositor e pianista... um dos gigantes da história da MPB". Tom Jobim também faz declarações para o mestre desconhecido "Radamés é água alta, é fonte que nunca seca, é cachoeira de amor, é chorão".

Para torná-lo mais visível fora dos circuitos especializados, uma recuperação de sua obra gigantesca está sendo feita e há shows marcados até dezembro. Hoje, o músico por detrás do projeto é o guitarrista Diego Figueiredo, "já considerado pela crítica nacional e internacional um dos maiores guitarristas da atualidade".

Hoje, toca o Trio Cai Dentro (composições próprias, nada relacionadas ao tal Radamés Gnattali). Os shows se iniciam às 21h30min e os ingressos custam R$20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). Se combinarem com os amigos, cheguem mais cedo para bater um papinho e pedir logo a cerveja, porque os garçons também se distraem durante a execução da música.

Schlöb
Pelo nome, vemos que se trata de um ambiente alemão - uma tradicional casa alemã - referência de boa música (ou música elitista, dependendo do ponto de vista). Com garçons devidamente uniformizados, lá é lugar para quem quer ouvir sons de qualidade, beber uma cerveja (não vá procurando preço baixos) e desfrutar de aperitivos alemães (como salsichas schublig, kalbsbratwrst e oxford, cozidas e grelhadas com sabores distintos do salsichão, da vitela e salsicha defumada – não, eu não estou inventando isso).

Suas "Terças Instrumentais Schlöb" são famosas e já acontecem há mais de 5 anos, onde têm lugar principalmente apresentações de músicos de jazz. Hoje, às 22h, jazz no projeto Concerto Instrumental com o trio Baru. O couvert custa R$6,00 e o bar é aberto de Segunda a Sábado a partir das 17h30min na 309 Norte.

Ocorre ainda, Brasília, neste final de semana, show d’Os Paralamas do Sucesso. Clique aqui para
checar o lugar e a hora desse concerto.

Boa semana e boa música para todos.

Sexta-feira, 7 de Abril de 2006

Definido novo professor da FAC

Foi homologado hoje, no Diário Oficial, o nome do professor substituto aprovado para o Departamento de Audiovisuais e Publicidade (DAP) da Faculdade de Comunicação (FAC). É Alexander Magnus Correia Laureiro, que ministrará a disciplina Planejamento/Marketing.

Quarta-feira, 5 de Abril de 2006

Coluna - Futebol

Planeta Bola
por Vítor Matos

Um russo, um americano e um brasileiro embarcaram rumo ao espaço. Não, não é piada ― se assim o fosse teríamos também um português na turma. Trata-se da mais límpida realidade: Pavel Vinogradov, Jeffrey Williams e Marcos Pontes compõem a tripulação da Soyuz TMA-8, nave russa com destino à Estação Espacial Internacional (ISS), numa viagem que os levará há mais de 300 km da atmosfera terrestre. É a primeira vez que um nativo da terra brasilis vai ao espaço, cem anos após Dumont cruzar os ares a bordo do seu 14-bis, setenta e dois depois de Leônidas da Silva ter inventado o gol de bicicleta. Já era tempo. Agora nossas crianças, além de paquita e corredor de Fórmula 1, vão sonhar também em ser astronautas. Um pequeno passo para Pontes, um pulo para a nação.

Contudo, a despeito de todo pioneirismo, é impossível deixar de notar um fato muito curioso nessa história toda. Um dia antes de sua partida, Pontes deu entrevistas e foi bastante assediado pela imprensa. A grandeza do seu feito suscitava várias perguntas, gerava assuntos em profusão. Mesmo com tanto a ser dito, pessoas a ser lembradas, dúvidas a ser sanadas, o astronauta brasileiro encontrou tempo para metralhar as seguintes palavras: “Para comemorar os seis campeonatos do mundo que a equipe brasileira conquistará, vou levar uma camisa da Seleção” ( Correio Braziliense, 30/03/2006). Pronto! De repente, quando menos se espera, alguém fala no esporte bretão. Já não tenho mais dúvidas que no nosso país tudo acaba em futebol. Nos ambientes mais improváveis e alheios ao esporte ― seja a Presidência da República, seja uma igreja ou às portas de uma nave espacial, não importa ― sempre tem um brasileiro valendo-se de um jargão, uma metáfora ou qualquer outra referência pertencente ao universo futebolístico. Que outro país produziria um cidadão que, horas antes do momento mais importante de sua vida e de entrar para a história da nação, lembraria de render homenagens a um time de futebol? Depois dessa declaração, Pontes deixou claro que a Pátria de Chuteiras terá, no espaço, um representante digno de sua tradição.

Todavia, temo pelo humor do astronauta brasileiro durante a viagem. Como todo bom torcedor, aposto que ele gostaria de entabular ― entre um buraco negro e outro ― uma conversa sobre futebol com seus colegas. Receio, porém, que seus companheiros de viagem sejam meio avessos a esse gênero de assunto. O americano, será que torce pelo Miami, novo time de Romário? Duvido. E o russo, talvez tenha uma opinião formada sobre a polêmica da comunicação eletrônica entre os árbitros? Improvável. Mas, se usar um pouco da imaginação, Pontes não se sentirá entediado e verá que o espaço guarda semelhanças fortíssimas com o futebol. Basta dar uma olhadinha pela janela. As estrelas, por exemplo. Muito parecidas com aquelas que os times bordam em seus uniformes toda vez que conquistam um título. O Brasil tem cinco, busca a sexta, é quase uma constelação. Falando nisso, se conseguir enxergar a Ursa Maior, Pontes lembrará-se instantaneamente da opulência física de Ronaldo, o Fenômeno. Ou então, passando por Peixes, reconhecerá o mascote do Santos. Isso sem falar nos cometas com toda sua velocidade, potência e direção incerta, como um petardo do Roberto Carlos.

Yuri Gagarin, o primeiro homem a viajar pelo espaço, ao ver nosso planeta lá de cima disse: “A Terra é azul”. Marcos Pontes deve estar pensando que o mundo é, antes de tudo, uma bola.

Vítor Matos é estudante de Comunicação Social na UnB e reveza esta coluna com Guiherme Rocha às quartas-feiras.

Abertas as inscrições para Intercom Centro-Oeste

Simpósio de Comunicação acontece entre os dias 12 a 14 de junho em Campo Grande e terá representantes de MS, MT, GO e DF

Já estão abertas as inscrições para o VII Simpósio Regional de Ciências da Comunicação, o Intercom Centro-Oeste. O simpósio acontece entre os dias 12 e 14 de junho, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande, e reúne estudantes, professores e pesquisadores da área de comunicação de toda a região Centro-Oeste.

O simpósio é organizado pelo Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) em parceria com a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Faculdade Estácio de Sá de Campo Grande (FES) e Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp).

As inscrições para participação nos debates e oficinas encerram-se no dia 19 de maio. Alunos, professores e interessados em apresentar trabalhos científicos têm até o dia 22 de abril para encaminhar resumo do material à Comissão Científica do Simpósio.

Como fazer a inscrição

Os interessados em participar das oficinas e debates devem preencher o formulário de inscrição, disponível no website do Intercom Centro-Oeste (www.ufms. br/intercomco), e encaminhá-lo, juntamente com o comprovante de pagamento de inscrição para o fax (67) 3345 7609. As inscrições custam R$ 20,00 para acadêmicos e R$ 70,00 para professores, pesquisadores e público em geral. A inscrição dá ao inscrito o direito de participar de uma oficina, dos debates e atividades paralelas que acontecem durante o evento. O pagamento das inscrições será feito em conta bancária que, em breve, estará disponível na website do simpósio.

Os trabalhos científicos serão encaminhados à Comissão Científica do Intercom Centro-Oeste apenas por e-mail (intercomco@nin.ufms.br) até o dia 22 de abril. É importante lembrar que serão aceitos apenas os resumos dos trabalhos. No dia 12 de maio acontece a divulgação dos trabalhos aprovados. O prazo para o envio do material é o dia 19 de maio.

Simpósios Regionais de Ciências da Comunicação

O Intercom Centro-Oeste é um dos cinco simpósios regionais de ciências da comunicação que vão anteceder o XXIX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – o INTERCOM 2006, que esse ano acontece em Brasília entre os dias 6 e 9 de setembro. No Sudeste, o simpósio regional será na cidade de Ribeirão Preto (SP); no Nordeste o encontro acontece em Maceió (Alagoas). O Intercom Norte será sediado em Manaus (AM) e o Intercom Sul, em Curitiba (PR).
Nessa edição, os simpósios regionais e o Intercom Nacional terão como tema “Estado e Comunicação”. A proposta é discutir a relação entre Estado e o sistema de comunicação, as políticas públicas destinadas a estimular ações e processos comunicativos por governos, empresas e terceiro setor; os sistemas e processos de comunicação do poder público e o papel do estado na regulação dos fluxos de informação e na difusão cultural.

Segunda-feira, 3 de Abril de 2006

Artigo

O Brasileiro e a Política
por Marco Prates

Ok, nosso povo tem fama de esperto e malandro. Ok, nossos jovens não venderiam o voto por R$ 10, mas pensariam duas vezes se o valor fosse cem vezes maior (“O jovem e a política”, 18/03/2006). Sim, nós não podemos nos orgulhar de ter um país com baixos níveis de corrupção e sim, virou moda falar das incongruências financeiras - novo eufemismo para os recursos não-contabilizados de Delúbio – que os próprios cidadãos brasileiros exercem no seu dia-a-dia. Mas, para o bem ou para o mal, podemos nos orgulhar da sinceridade da nossa nação. Pelo menos é o que se constata na pesquisa do Ibope, apresentada na última quinta-feira sob o título “Corrupção na Política: Eleitor Vítima ou Cúmplice?”.

Como advertiu o repórter do Correio Braziliense, Rudolfo Lago, cuja matéria serviu de base para esse artigo, é muito fácil julgar a senhorinha Ângela Guadagnin (PT-SP) e sua dancinha pra lá de formosa. Mas parece que somos, antes de tudo, seres emocionais. E esses seres fazem qualquer coisa para livrar a si próprio ou um amigo de problemas. Não cabe julgar aqui o mérito da questão, apenas tê-lo como um fato, salvo raras exceções. Não é surpresa então que, dos 2.002 entrevistados na pesquisa, 69% já transgrediram alguma lei ou contrato para benefícios pessoais, de forma consciente e racional.

Atitudes como ganhar descontos em consultas sem recibo, propinas para policiais, compra de produtos piratas, ligação clandestina de TVs a cabo estão entre as transgressões éticas avaliadas. Aí entra o louvado mérito de nossa população com sua honestidade exacerbada: 75% acreditam que cometeriam pelo menos uma das 13 transgressões propostas na pesquisa, e 60% cometeriam nepotismo se ocupassem um cargo de liderança pública. Não obstante, conseguirem prever o futuro (cometeriam), ainda são capazes de se imaginar em cargos públicos e, nestes, cometendo irregularidades. Ponto para a falta de ética na fantasia.

Uma coisa é certa: para admitir todos esses dados, o brasileiro não deve gostar nem de seu próprio caráter. Um homem de angústias, que quer ser bom, mas é atormentado pela própria canastrice. Aplausos para nossa complexidade dostoievskiana: não somos honestos – nem nos espelhamos como tal - mas seguimos vivendo.

A corrupção é de fato irrestrita, mesmo nas universidades, recantos sagrados do conhecimento e da contestação. E não cito o reitor e sua administração (que devem ter sua parcela também), mas os próprios estudantes. Em uma de suas edições do semestre passado, o Campus (Jornal Laboratório da UnB) publicou uma matéria sobre várias “corrupções” (Introdução à Corrupção, era o nome da matéria) que se passam neste local de estudo e pesquisa. As mais impressionantes referiam-se a representantes que usurparam dinheiro de seus Centros Acadêmicos para proveito próprio e outros que deixaram dívidas pessoais para futuros colegas.

Seguem-se discussões se o problema ético, pra lá de sua face pública, está também encarnado em todos os grupos e camadas da sociedade, ou seja, a raiz do problema está mais embaixo. Mas aí já é um estudo a parte. Vale apenas citar que um honroso recorde foi obtido em 2005: a carga tributária brasileira chegou a 37,82% do PIB, um ponto percentual acima do ano anterior. Isso deve ao menos fornecer uma mínima fatia para explicar a razão da corrupção do povo - aquela que vem de baixo – e daquela que vem de cima. Essa última, a que torna nossos jornais mais emocionantes todos os dias.

Domingo, 2 de Abril de 2006

Editorial

A Universidade entrou em férias um dia desses e as preocupações com ela já estão de volta. O processo de matrícula já está aberto por meio da disponibilidade da lista de oferta de disciplinas (www.matriculaweb.unb.br); do dia 7 ao dia 10 ocorrerá a matrícula em si; e ainda há o ajuste dias antes do início do semestre letivo.

Iniciaremos mais este período de estudo com os mesmos problemas a resolver. Há a novidade do campus de Planaltina, uma iniciativa interessante (a princípio), mas que tem muito a ser desenvolvido ainda. Há projetos de expansão da UnB para outras Regiões Administrativas; porém, não seria melhor solucionar as questões do campus já existente?

Pelo menos há a consolidação do crédito de extensão, o que incentivará a integração com a sociedade e estimulará os estudos dos alunos. Quanto ao resto, é suportar mais um semestre apressado e ir com as aulas até as proximidades do Natal.

Sábado, 1 de Abril de 2006

Especial - Entrevista com Carlos Chagas

Jornalista e ex-professor da UnB, Carlos Chagas defende a obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão e critica o excesso de teoria na universidade
por Gabriel Castro

Carlos Chagas é uma dessas pessoas - cada vez mais raras - que testemunharam de verdade a turbulenta História do último meio século. Mantendo sua fala serena e o cigarro sempre à mão, Chagas se aproxima do 68º aniversário com a agenda cheia. Diariamente, pode ser encontrado em seu confortável escritório no Setor Comercial Sul, no centro da cidade onde chegou há 22 anos. Senta-se à sua mesa: ao fundo, um grande mapa-mundi ; à frente, vários monitores de TV, cada um sintonizado em um canal diferente. Chagas tem 45 anos de experiência no jornalismo; foi amigo de JK, Leonel Brizola e inúmeras outras figuras públicas. Por duas décadas e meia, foi talvez o professor mais querido da Faculdade de Comunicação da UnB. E ainda hoje não abdicou da tarefa de, diariamente, tentar compreender o nosso país e nos oferecer sua explicação - talvez não a totalmente acertada, mas definitivamente sincera.
Acessível, Carlos Chagas nos recebeu e aceitou dar uma entrevista. A primeira das duas partes pode ser acompanhada abaixo.

Em seu escritório
.

CACOM: O senhor se formou em 1960, não é?
Carlos Chagas: Eu me formei em 1960, mas em Direito, na PUC do Rio. Naquela época o diploma de jornalismo não era obrigatório. Depois de seis meses a pessoa podia fazer o registro da profissão.

CACOM: E o que o senhor acha da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo?
CC: Acho imprescindível, fundamental. De tempos em tempos, surge a tese de que o diploma não é obrigatório . Dizem que ser jornalista é para quem tem o dom de escrever. Mas vou dar um exemplo: "seu" Manoel é açougueiro. Nasceu com o dom de cortar carne. Ele é um craque na arte de cortar. Mas isso dá a ele o direito de vestir o jaleco, entrar no hospital e fazer uma cirurgia? Imagine um camelô qualquer. Ele tem o dom da palavra. Fala muito bem, sabe convencer os clientes, vende tudo o que apresenta. Mas por isso ele pode atuar num tribunal? O dom é importante, mas não faz o profissional. Quem tem o dom de escrever pode fazê-lo como colaborador, articulista.

O jornalista não é melhor nem pior do que o escritor, mas precisa de conhecimento ordenado e sistematizado, que só adquire na faculdade. Antes, aprendíamos apenas pela experiência, a prática. Só quem sabe história, filosofia, economia, geografia, pode ser um bom jornalista. Bem como precisa conhecer a parte técnica: editar, diagramar, apresentar, aprende-se com muito mais facilidade e eficiência nos bancos universitários.

A Medicina levou séculos para conquistar a exigência do diploma. Antigamente exercia a medicina quem tinha propensão para isso. O sujeito tratava dos outros como queria. Alguns eram até curandeiros, não tinham estudo. Olha o Tiradentes: era um alferes, mas tinha pendor para tirar dentes. Nunca estudou odontologia. Mas como o mundo anda para frente, passou-se a exigir o diploma de odontologia. No jornalismo também não se exigia o diploma, mas as coisas evoluem. Sabe quem é contra a obrigatoriedade do diploma? Os donos de jornal, os filhinhos dos donos, que não tiveram capacidade para se formar.

Hoje em dia, mesmo que não existam mais turmas fixas, como antigamente, um aluno jovem tem aquela convivência permanente com os colegas. Não pensam igual, mas constituem uma mini-sociedade organizada. Quando se formarem, vão estar juntos para exigir melhores salários, condições de trabalho e ética profissional. Mas os patrões querem contratar parentes, amigos, pessoas sem compromisso com a categoria e com o jornalismo. Se o diploma for obrigatório, isso muda.

CACOM: O senhor acha que essa é uma tendência irreversível?
CC: Ah, com certeza. Já é obrigatório há alguns anos. Foi uma juíza do Rio Grande do Sul que deu há pouco tempo uma sentença suspendendo a obrigatoriedade, mas o Superior Tribunal de Justiça revogou. Mesmo assim, a obrigatoriedade vem sendo desmoralizada. A Folha de S. Paulo, por exemplo, contrata sem diploma. Todo ano ela faz um teste, e muitos garotos se inscrevem. No fundo, a Folha reconhece a necessidade de uma formação, porque oferece um curso interno aos selecionados. Oferece um diploma particular.

CACOM: O senhor ficou 25 anos na UnB, não é?
CC: 25 anos. Fiquei um tempo como professor visitante, depois fui para professor titular.

CACOM: E por que resolveu se aposentar?
CC: Bom, eu acordava todo dia às 6h30 para estar às 7h45 na UnB. Dei aula de várias disciplinas, até às 10 horas. Depois da aula, caía na vida: dirigi sucursais de veículos de comunicação, tinha de fazer um artigo de 100 linhas por dia, fazia 4 comentários diários para a rádio, um comentário para o telejornal, participei do Conselho de de Comunicação Social e do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana.

Chegou uma hora em que não dava. Outro motivo: no começo, não havia esse preconceito contra o cigarro. A gente dava aula fumando, e os alunos também fumavam. Depois, passei a fumar no corredor, no intervalo entre as aulas. Aí veio uma ordem proibindo o cigarro em toda a Universidade. Na verdade, eu costumo falar brincando que parei de dar aula por causa do cigarro. E ainda tem um outro motivo: a renovação. Apesar de a gente se reciclar, chega uma hora em que é preciso dar lugar a outros. Antigamente existia a figura do catedrático, o sujeito que ficava 25, 30 anos dando aula do mesmo assunto, exatamente do mesmo jeito. Mas o professor precisa reconhecer as mudanças, precisa aprender com os alunos, também.

Quando eu dava aula de Ética, precisava dar uns fundamentos de filosofia. Eu mostrava como os filósofos viam a ética, não todos, claro, mas uns 40. E olha que são mais de 100 mil. Desde os Pré-Socráticos, passando pela Idade Média, a Escolástica, até Noam Chomsky, incluindo Maquiavel, Kant, Hobbes, Marx, Nietsche e até Jesus. Cada um dispôs de uma definição diferente sobre que é a ética. Na última aula, eu punha no quadro o nome de cada um desses que havíamos estudado, e dizia : "Agora vocês vão votar. Vamos ver porque vocês são éticos”. No começo, há 25 anos, Marx ganhava por uns 70%. Claro, o país estava na ditadura militar e os estudantes tinham o comunismo como forma de reação ao regime. Na verdade, não eram comunistas coisa nenhuma, só uns três ou quatro. Mas isso refletia o posicionamento dos estudantes naquela época.

Depois voltou a democracia, mudaram as mentalidades, e aí passou a ganhar Hobbes, que era ético por egoísmo, para o colega do lado também ser ético, depois Weber, ético para ganhar dinheiro, e Aristóteles, para sentir-se bem consigo mesmo. Na última eleição que fiz antes de me aposentar, ganhou Noam Chomsky, aquele intelectual que critica o neoliberalismo. Isso reflete as tendências de cada época. Em 25 anos ministrei Ética para 50 turmas, e pude observar essa mudança. Então o professor aprende muito com os alunos também.

CACOM: Nesses 25 anos, o que o senhor viu mudar na Universidade?
CC: Os professores não vão gostar disso, mas vá lá: a crítica principal é que os professores hoje formam outros professores: dão muita ênfase na teoria. É preciso mostrar a prática. E olha que eu dei aula de teoria na Universidade. Até hoje não sei o que é semiótica e semiologia, e não quero saber. Isso nunca me fez falta. Então não adianta ensinar só a teoria. Os professores precisam falar mais claro. Na medicina, não adianta você ensinar na teoria como se faz uma operação de apendicite e esperar que o sujeito vá lá e faça tudo certo. No jornalismo, é preciso ensinar a prática, se não a faculdade não obtém resultado.

CACOM: Como é sua rotina hoje?
CC: Bom, eu comecei trabalhando 12 anos como repórter do Globo, no Rio, onde cheguei a editor-político. Em 1971, vim para Brasília ocupar o cargo de diretor da sucursal do Estadão. Fiquei 16 anos nesse cargo. Mas no jornalismo, uma hora ou outra você sai do emprego. Fui convidado para diretor da rede Manchete de televisão. Fiquei lá 12 anos. Quando a Manchete acabou, fui para a CNT. E jurei que não iria mais aceitar um cargo de direção. Então estou lá desde 2000, tenho um programa de uma hora exibido três vezes por semana. Chama-se “O Jogo do Poder”. Geralmente debato com políticos e personalidades um assunto que esteja em evidência.

Também faço um comentário para o Jornal da CNT, de segunda à sábado. Gravo quatro comentários políticos por dia para a rádio Jovem Pan. São dois para a manhã e dois para a noite. E escrevo um artigo de 100 linhas para alguns jornais. Já foram 36, hoje são 12. A gente vai envelhecendo e as pessoas vão se cansando. O cara pensa: “Puxa, já tem 15, 20 anos que eu leio esse cara. Agora chega”. Não escrevo para nenhum jornalão. São jornais como a Tribuna da Imprensa, do Rio, a Tribuna, de Santos e outros. A maioria são jornais do Nordeste.

O problema dos jornais pequenos é que eles pagam pouco, e às vezes não pagam, atrasam. Tem jornal que me paga 500 reais por mês por artigos diários. Mas tem jornal que chega a atrasar 6 meses o pagamento. Aí eu paro de enviar os artigos, né? Quem trabalha de graça é relógio. E eu também tenho um espaço na revista semanal BSB em Dia e na revista Foco.

A segunda parte da entrevista com Carlos Chagas será publicada no blog na próxima semana.